As embalagens inovadoras no combate ao desperdício alimentar e ao impacto ambiental

Por Ines Cunha de Moura e Ana Lopes de Oliveira | ES Seguranca - Consultoria Agroalimentar, Lda.

plastico

De acordo com a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), cerca de um terço de todos os alimentos produzidos mundialmente é desperdiçado.

A nível nacional, o Projeto de Estudo e Reflexão do Desperdício Alimentar (PERDA) estima que 1 milhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas, sendo uma das principais causas das perdas alimentares a deterioração dos alimentos.

Com a globalização do mercado e com a constante exigência do aumento do tempo de vida dos produtos, o papel das embalagens na conservação e preservação dos alimentos tornou-se cada vez mais importante.

Recentemente, um estudo publicado pela Friends of the Earth Europe e pela Zero Waste Europe, revela que o aumento do número de embalagens alimentares em plástico não está a conseguir reduzir o crescente problema europeu do desperdício alimentar.

O mesmo estudo demonstra que desde 1950, momento em que o uso de embalagens plásticas se tornou comum na Europa, os níveis de desperdício alimentar e desperdício de embalagens plásticas per capita cresceram simultaneamente, atingindo valores de 173 kg e 30 kg, respetivamente.

O mercado europeu das embalagens é altamente desenvolvido, com níveis de resíduos de embalagens dos mais elevados do mundo. Além disso, o mesmo estudo alerta para o impacto ambiental dos plásticos que é sistematicamente subestimado. Os plásticos constituem 85% do lixo nas praias de todo o mundo. Deste total, 61% são plásticos de uso único como pacotes de batatas fritas e doces, recipientes para alimentos e talheres.

De acordo com um trabalho desenvolvido pela fundação Ocean Cleanup e por investigadores de instituições mundiais e divulgado no boletim Scientific Reports, da revista científica Nature, quase 80 mil toneladas de detritos de plástico, compostos por 1,8 mil milhões de fragmentos, ocupam no Oceano Pacífico, uma área equivalente a três vezes o tamanho de França, e a quantidade de plástico encontrada nesta área está a aumentar exponencialmente. Mas não só no Oceano Pacífico encontramos quantidades enormes de lixo flutuante, estima-se que, a cada dia, cerca de 700 toneladas de plástico flutuam para o Mar Mediterrâneo.

Apesar de haver, ainda, muito desconhecimento em relação às consequências do plástico nos diferentes ecossistemas, o impacto é claro.

Os plásticos que vão parar aos oceanos e que se deterioraram dando origem a pequenas partículas, são ingeridos pelos animais podendo levar à sua morte. Além disso, através dos peixes, podemos estar a enfrentar a possibilidade da inserção dos microplásticos na cadeia alimentar humana.

O caminho que as indústrias produtoras de embalagens precisam de percorrer é longo, mas começa-se a assistir a uma crescente preocupação no desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis, com o intuito de diminuir o desperdício alimentar e o impacto ambiental, sendo atualmente uma preocupação a nível mundial e nomeadamente a nível Europeu com vários projetos financiados na área de desenvolvimento de novas embalagens.

Embalagens ativas

As embalagens de uso alimentar estão a passar de um papel passivo (sendo unicamente um recipiente que acondiciona e protege o produto de danos mecânicos e ambientais), para um papel ativo (onde é capaz de prolongar o prazo de validade interagindo com o produto libertando, por exemplo, antioxidantes, antimicrobianos ou removedores de oxigénio para prevenir e retardar a deterioração dos alimentos).

A NanoPack é um projeto que desenvolve um filme de embalagem ativa com propriedades antimicrobianas. Estes novos filmes de embalagem libertam lentamente no espaço livre da embalagem pequenas quantidades de óleos essenciais antimicrobianos em forma de vapor, atuando como uma espécie de desinfetante permitindo o aumento do tempo de vida do produto.

Embalagens de alta barreira biodegradáveis

Na indústria alimentar as embalagens de alta barreira são altamente desejáveis, já que oferecem uma barreira mecânica contra a humidade, oxigénio e microrganismos patogénicos, prolongando o tempo de vida do produto. No entanto, estes materiais são frequentemente produzidos de fontes não renováveis e não biodegradáveis.

Os materiais de embalagem de base biológica estão a ser cada vez mais explorados como substitutos às embalagens plásticas tradicionais devido à sua capacidade de se biodegradarem ou serem utilizados em processos de compostagem. O projeto RefuCoat tem como objetivo desenvolver dois novos tipos de embalagens para uso alimentar à base de produtos biológicos: a primeira é uma embalagem ativa totalmente reciclável substituta dos filmes metalizados que são comumente utilizados para embalar cereais e aperitivos; a segunda é uma embalagem para produtos de carne de frango totalmente biodegradável. Desta forma, este projeto visa não só aumentar a durabilidade dos produtos, como diminuir o impacto ambiental das embalagens.

(continua)

Nota: Artigo publicado na edição impressa da TecnoAlimentar 17, no âmbito do dossier Embalagem na Indústria Alimentar.

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