Tecnologia: 7 grandes avanços na Indústria Alimentar

A Indústria Alimentar está em evolução constante e a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante neste setor. Os avanços científicos e técnicos permitem hoje produzir alimentos e bebidas que se adaptam melhor à procura dos consumidores de uma forma segura, com processos produtivos mais sustentáveis e eficientes, cobrindo a procura dos mercados globais.

Os técnicos e investigadores especializados em Indústria Alimentar do Centro Tecnológico AINIA indicam quais são os 7 avanços tecnológicos que mais vão influenciar o setor no futuro próximo.

Internet das Coisas (Internet of Things), a Inteligência Artificial e Big Data

Está a mudar radicalmente a forma de produzir, transportar e consumir alimentos. Um relatório da Accenture estima que o investimento global na Internet das Coisas (IoT) atingirá os 500.000 milhões de dólares em 2020. No caso particular da indústria de alimentação, está a acontecer uma revolução através da digitalização de processos, o que vai resultar numa maior eficiência e flexibilidade em:

- produção de alimentos (a chamada indústria 4.0)
- atividades relacionadas com a cadeia de valor
- controlo da qualidade e segurança alimentar

Estes fatores, juntamente com a grande quantidade de informação disponível fruto da referida digitalização, melhorará a tomada de decisões por parte das equipas diretivas e de gestão, que detêm agora um conhecimento do consumidor mais detalhado do que nunca, abrindo diversas oportunidades no campo da personalização do produto e novas formas de interação.

Microencapsulação e nanoencapsulação para a conceção de ingredientes de última geração

As tecnologias de microencapsulação estão a permitir, nos últimos tempos, desenvolver alimentos com novas propriedades, mais seguros e mais saudáveis, assim como ingredientes funcionais e aditivos novos com propriedades avançadas.

Trata-se de uma das alternativas mais procuradas pela indústria alimentar para manter a conservação das propriedades dos produtos. Graças a este processo, as substâncias bioativas dos alimentos são introduzidas numa matriz do produto para impedir que se percam. Assim, protegem-se da eventual reação com outros compostos, abrandam as reações de oxidação e, inclusivamente, é possível libertar nutrientes de forma controlada. Neste sentido, o potencial que abre a nanoencapsulação é ainda maior.

Resumidamente, a microencapsulação e a nanoencapsulação supõem um avanço tecnológico de primeiro nível na inovação de produtos alimentares, sendo chaves para o desenvolvimento:

- Aditivos naturais
- Ingredientes funcionais
- Estabilizadores de produto
- Melhorias sensoriais de alimentos e outros produtos
- Ingredientes avançados para a geração de novas perceções no consumidor

Imagem química para o controlo da qualidade e segurança alimentar

A imagem química permite obter do produto que se está a processar um mapa de composição (humidade, gordura, proteína...) em tempo real. É uma tecnologia revolucionária baseada na visão espectral que permite ir para além das limitações que têm os sistemas de inspeção convencionais. As imagens mostram as concentrações dos parâmetros de interesse em cada ponto do produto, o que proporciona mais informação e mais rigorosa.
Devido à capacidade de identificar a composição química, esta tecnologia permite diferenciar entre produto correto e matérias estranhas que possam aparecer na linha de produção. As suas aplicações são muitas e variadas: controlo de processos analíticos, deteção de corpos estranhos em frutos secos, controlo de qualidade da matéria prima em preparados de pescado, produtos cárnicos, etc...

Bacteriófagos, novos métodos biológicos para a segurança alimentar

A conservação de alimentos mediante novos métodos biológicos está a criar novos paradigmas para a segurança alimentar. Os bacteriófagos são vírus que infetam de forma específica e se multiplicam nas bactérias. Já se estudaram diferentes aplicações dos bacteriófagos na cadeia alimentar. Por exemplo:

- como terapia, para reduzir e prevenir a colonização e doenças na produção animal
- como higienização, para a descontaminação de produtos frescos (frutos, vegetais e carnes)
- como desinfetante de equipamentos e superfícies em contacto com os alimentos
- como biocontrolo, em forma de conservante natural, para prolongar a vida útil dos produtos perecíveis.

Ainda que os bacteriófagos não sejam sempre benéficos (como é o caso das indústrias com processos de fermentação, como por exemplo a indústria láctea), existem contudo no mercado produtos que contam com a aprovação da FDA o seu uso contra patógenos tão importantes como a Listeria monocytogenes, Salmonella e E.coli, suscintando o interesse da EFSA.

A pressão como ferramenta para transformar processos alimentares

A ciência dos alimentos perfila uma tendência futura até ao desenvolvimento de tecnologias que assegurem a máxima qualidade dos alimentos com o mínimo custo e utilizando técnicas mais amigáveis para o meio ambiente. Neste âmbito, os efeitos da pressão, como variável termodinâmica, sobre a estrutura e mobilidade dos diferentes componentes dos alimentos (proteínas, gorduras...), abre um amplo leque de novas possibilidades:
- alterações adaptáveis nas proteínas da parede celular e o seu efeito direto na inativação microbiológica.
- controlo de variáveis de processo em sistemas fechados (temperaturas de ebulição, presença de oxigénio...) como a fritura a pressão reduzida.
- modificação da variável temperatura para processos de cozedura de alimentos mediante vapor saturado a pressão controlada.

Proteómica

A proteómica é uma área da biologia que se baseia no estudo das proteínas. É usada como técnica analítica para a identificação e caracterização de proteínas implicadas em processos biológicos e para a procura de novas proteínas. Ainda que o seu potencial no âmbito da biomedicina e farmácia seja mais conhecido (as suas principais aplicações centram-se no descobrimento de novos fármacos, diagnóstico molecular e medicina personalizada), também supõe um avanço tecnológico aplicável ao campo da alimentação.
Assim, por exemplo, a conjunção dos avanços em proteómica e biosensores abre um grande campo de trabalho no âmbito da segurança alimentar para a deteção de contaminantes e microrganismos de risco. Para além disso, os biochips de ADN têm grandes potencialidades para o desenvolvimento de uma alimentação personalizada.
Também no campo da proteómica, devem ser referidos os avanços no desenvolvimento de kits enzimáticos feitos à medida de patógenos como a Salmonella, Listeria monocytogenes ou outros.

Embalagens Ativas, a pele do alimento no Séc. XXI

O desenvolvimento de embalagens ativas com propriedades biocidas, antioxidantes ou absorventes de gases também supõem um grande avanço tecnológico.
Uma embalagem ativa é aquela que é capaz de interatuar química ou biologicamente com o produto alimentar ou modifica o espaço de cabeceira com o propósito de melhora a vida útil. embora existam muitas aplicações finais, as mais comuns são barreiras ao oxigénio, agentes antimicrobianos, absorventes de etileno e humidade.
Estão a ser investigadas novas fórmulas para a funcionalização de embalagens mediante diferentes estratégias. O desenvolvimento de investigações estão a permitir a avaliação da funcionalidade das substâncias ativas empregadas e a sua compatibilidade, dependendo se são aplicadas por meio dos recobrimentos ou por extrusão (o material de embalagem juntam-se as substâncias ativas que se fundem de forma conjunta, conseguindo um novo material funcional).

Fonte: AINIA. Ler aqui.