A produção de alimentos e o ambiente

Por Rui Alves | Diretor da Revista TecnoAlimentar

alimentos

A Tecnoalimentar debruça-se sobre a agroindústria e a sua função de colocar alimentos seguros e apetecíveis à disposição da espécie humana.

Diferentes números têm vindo a salientar diferentes aspectos desta questão, ora relacionados com as matérias-primas ou com os produtos finais, com o consumidor, com a legislação, com a embalagem, equipamentos, etc. Tudo aspectos que são partes de um problema global: alimentar a população humana existente, sendo a agroindústria um elemento fundamental desta problemática.

Os modos de viver actuais exigem alimentos disponíveis em qualquer parte do mundo, para satisfação das necessidades, gostos e modas dos consumidores. A circulação de alimentos pelo mundo tornou-se inevitável, arrastando consigo a necessidade de generalizar a utilização de embalagens.

Tal como se destaca em alguns artigos desta revista, estas permitem o transporte e a conservação dos alimentos, e são hoje parte integrante de algumas tecnologias.

Também têm um papel fundamental na informação prestada: hoje o consumidor sabe a origem e a composição dos alimentos, percebe se tem componentes que possam ser-lhe prejudiciais, ou se contêm componentes essenciais para a saúde, permitindo escolhas mais conscientes.

A informação contida na embalagem também permite rastrear os produtos alimentares, possibilitando um combate mais eficaz às fraudes alimentares e a práticas desonestas. Mas as embalagens exigem o consumo de recursos para o seu fabrico, são o maior componente do lixo existente no planeta e, sendo muito resistentes, fazem com que o lixo perdure por muitos anos, contaminando o ambiente e entrando na cadeia alimentar, com graves consequências para a vida animal e para a saúde humana.

Neste número revê-se a problemática dos pesticidas. Pretende-se inibir a sua utilização e simultaneamente garantir abundância de alimentos, o que parece ser uma equação impossível. São necessários para obter produtos alimentares em maiores quantidades e protegidos contra pragas, mas tal conduz à acumulação no ambiente e na cadeia alimentar de substâncias químicas muito prejudiciais à saúde humana.

Vê-se, assim, que para alimentar a humanidade, se vão resolvendo problemas e criando outros com impactos muitas vezes graves e perduráveis. O impacto ambiental da comida no nosso prato é hoje possível de quantificar, sendo evidente o consumo de recursos e a quantidade de resíduos lançados para o ambiente, necessários para produzir a simples refeição a que estamos habituados.

É-me difícil acreditar que consciencializar a população para todas estas questões trará mudanças de mentalidades e atitudes, ou alteração de práticas motivadas por fortes interesses económicos.

Também não creio que seja fácil captar a atenção dos consumidores em face dos custos mais elevados que terão de suportar para ter uma alimentação saudável e práticas menos agressivas para o ambiente.

Creio ser mais fácil admitir que estará nas mãos dos produtores e transformadores de alimentos promover as alterações necessárias, quer motivados por razões de concorrência ou de consciência, quer obrigados por aspectos legislativos com base científica. Tal levará a reinventar produtos e tecnologias e abrirá novas perspectivas de negócio para a indústria alimentar, até porque é necessário alimentar cada vez mais pessoas, todos os dias, várias vezes ao dia.

(continua)

Nota: Editorial publicado na edição impressa da TecnoAlimentar 17.

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