Pão Medronho pretende ajudar fileira a reorganizar estratégia

O Pão Medronho ficou em 3º Lugar na 4ª edição do Concurso de Ideias Agriempreende, realizado no âmbito do Fórum de Empreendedorismo e Inovação, que integrou a da Feira Nacional de Agricultura.

Pão Medronho

Texto: Ana Catarina Monteiro

A atribuição de prémios contou com a presença dos presidentes do INOVCLUSTER, da AGROCLUSTER e do presidente do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação), Nuno Mangas.

O Pão Medronho trata-se de um produto desenvolvido nos últimos cinco anos, no decurso dos trabalhos de investigação do promotor Rui Lopes, estudante finalista do Curso de Licenciatura em Dietética e Nutrição da Escola Superior de Saúde, membro colaborador do Centre for Innovative Care and Health Technology (ciTechCare) e estudante de Mestrado em Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar da Escola Superior Turismo e Tecnologia do Mar, do Politécnico de Leiria.

Este pão pretende apresentar um perfil nutricional diferenciador em comparação com outros presentes no mercado, destacando-se pelo baixo teor de sódio, pela presença de vários minerais provenientes do fruto e rico em fibras.

«Esta evolução, permitirá ajudar a fileira do medronho a reorganizar as estratégias agroindustriais e deste modo contribuir para a economia das populações do interior de Portugal, onde este fruto poderá ter forte expressão económica agroflorestal e na preservação dos habitats naturais. Pretende-se assim que este seja um relevante contributo para a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis», explica em comunicado Rui Lopes.

O empreendedor conta também com o acompanhamento das docentes Vânia Ribeiro (ESSLEI/ciTechCare), Susana Silva, Susana Cardoso e Ana Augusto (ESTM/CETEMARES) para este projeto, que se encontra neste momento em fase de conclusão dos processos produtivos, em colaboração com a Padaria Ritus do Pão, Monte Redondo em Leiria.

Os vários ácidos orgânicos voláteis, assim como os diferentes compostos antioxidantes, entre os quais estão os flavonóides provenientes do medronho, distinguem também este produto. Estes compostos revelam interesse nutricional pela sua ação anti-inflamatória, na proteção da função cardiovascular, na diminuição do risco de cancro e da oxidação celular (diminuição dos radicais livres), entre outros aspetos relevantes da saúde.

De aspeto rústico e com farinhas não corrigidas, de longevidade superior, mantendo a frescura e macieza interna até ao 6º dia de vida útil, este pão aromático tem chegada ao mercado prevista para o final deste ano, em vários pontos nos distritos de Leiria, Castelo Branco e Lisboa. A comercialização deve alargar nos anos seguintes ao território nacional.

Destaca-se ainda, que no decorrer dos trabalhos de investigação, foram encontradas soluções tecnológicas, que irão contribuir de forma decisiva na resolução de alguns problemas no processamento deste fruto na indústria de transformação alimentar. Está prevista a continuidade dos projetos de investigação na área da inovação em nutrição no Politécnico de Leiria com empresas do setor e comunidade.