Mar: Contaminação e Pesca Excessiva são o que mais preocupa os europeus

  • 13 outubro 2014, segunda-feira
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life_under_the_ocean-wideA contaminação do oceano, a pesca excessiva e a acidificação das águas são os problemas que mais preocupam os europeus no que concerne às ameaças que enfrentam os oceanos. Esta é uma das conclusões a que chegou um estudo internacional em que participou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e que foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

No inquérito participaram mais de 10.100 habitantes de diferentes regiões e ambientes socioeconómicos repartidos por 10 países da UE: Espanha, Estónia, Alemanha, Itália, Noruega, Irlanda, Holanda, Reino Unido, França e República Checa.

“O nosso objetivo é entender qual é a perceção social do impacto que as ações humanas produzem nos oceanos. Conhecer as preocupações e as prioridades dos europeus é importante porque nos ajuda a ver como se relacionam com os ecossistemas marinhos, de onde obtêm informação, como enfocam esses problemas e que ideias, reais ou deturpadas, existem entre a população, resultante de uma comunicação deficiente. Os resultados deste trabalho podem-nos ajudar, entre outras coisas, a melhorar a comunicação à sociedade sobre o estado do oceano e a elaborar políticas ambientais mais próximas das preocupações da sociedade”, explicou o investigador do CSIC Carlos Duarte.

Segundo o inquérito, os meios de comunicação onde os europeus mais confiam para se informarem acerca dos problemas dos oceanos são a televisão (82%) e a internet (61%). Por outro lado, as fontes mais respeitadas entre a população são as publicações científicas e os investigadores que trabalham em universidades e centros de investigação.

“De realçar que as fontes governamentais e o Grupo Intergovernamental de Peritos para as Alterações Climáticas (IPCC) transmitem menos confiança do que os investigadores das universidades, apesar de muitos dos membros do IPCC serem precisamente investigadores universitários. Isso demonstra que existe uma má interpretação acerca das estruturas internacionais sobre o meio ambiente e que será necessário aumentar a transparência da comunicação da ciência”, acrescentou o investigador.

Os resultados indicam também que os europeus acreditam estar moderadamente informados, ainda que não por igual forma acerca de todos os impactos ambientais. Os inquiridos afirmaram estar principalmente informados, em ordem decrescente, relativamente à contaminação, degelo das zonas polares, a pesca excessiva, aumento do nível do mar, inundações costeiras e desastres naturais atmosféricos.

Porém, quando se confronta o seu nível de informação com dados objetivos constata-se que têm a ampliar a severidade e proximidade dos impactos. Os temas sobre o que acreditam estar menos informados são a acidificação dos oceanos, a proliferação de espécies invasoras e os afloramentos de medusas.

Por último, 57% dos inquiridos acredita que as ações individuais não servem para solucionar os problemas dos oceanos e que o impacto da ação humana já se produziu ou se ira notar num curto espaço de tempo. É por isso que os investigadores reiteram a necessidade de melhorar a comunicação e fazer ver que o comportamento de cada indivíduo e o seu modo de vida influencia a saúde dos oceanos. “É necessário incentivar os cidadãos a tomar maiores responsabilidades com os oceanos e que entendam que muitos dos impactos que os cientistas estudam ainda não aconteceram e podem ainda ser evitados”, conclui Carlos Duarte.

 

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