Falta de informação impede criação de estratégia nacional contra o plástico

O relatório nacional sobre poluição de plástico em Portugal demonstra que, em 2016, a quantidade de embalagens de plástico declaradas, produzidas ou importadas foi de 195 902 toneladas.

Segundo o Observador, que analisou o relatório “X-Ray da Poluição por Plástico: Repensar o Plástico em Portugal”, realizado pela ANP (Associação Natureza Portugal) e a organização ambientalista internacional WWF (World Wildlife Fund for Nature (WWF), a falta de informação impede a criação de uma estratégia nacional integrada de redução de plásticos. 

No país existe uma falta de informação sobre os impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde da poluição por plástico, o que impede perceber quantos recursos económicos são necessários para atenuar a problemática. 

Um dos maiores problemas encontrados relaciona-se com as embalagens de plástico de uso único, que têm uma vida útil que chega a ser de poucos minutos, mas que podem demorar centenas de anos a decompor-se. Além disso, não se conhecem os efeitos para a saúde humana de transportar os alimentos nesses contentores. 

O relatório cita ainda cálculos recentes que indicam que mais de metade de todo o plástico que existe no mundo foi produzido nas últimas duas décadas. Apesar dos esforços de algumas organizações a nível mundial, nos próximos 20 anos a utilização do plástico deverá duplicar.

As organizações que levaram a cabo o estudo apelam à diminuição da oferta de plásticos descartáveis, à introdução de sistemas de depósitos, em particular garrafas, e a uma melhor rotulagem. Pedem ainda por criatividade do lado governamental, com a criação de incentivos à reciclagem e outro tipo de planos de apoio, bem como nova legislação.