Surto multinacional de Salmonella associado a sementes de alfafa germinadas preocupa Europa

FOTO HANS/ PIXABAY

João Guilherme Oliveira

As sementes de alfafa germinadas são a origem mais provável de um surto multinacional de infeções por Salmonella Bovismorbificans que está a afetar diversos países europeus. A conclusão consta de uma Avaliação Rápida de Surto (ROA, na sigla em inglês), publicada conjuntamente pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 109 casos confirmados em dez países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, bem como o Reino Unido. Entre as nações afetadas encontram-se Alemanha, Áustria, Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo e Países Baixos.

Segundo o relatório das autoridades de saúde, a grande maioria dos doentes são adultos, registando-se uma maior incidência entre a população feminina. Até ao momento, dezoito pessoas necessitaram de internamento hospitalar com uma vítima mortal associada ao surto.

Evidências apontam para os germinados

As investigações epidemiológicas e microbiológicas realizadas nas últimas semanas concluíram a causa do surto: as sementes de alfafa germinadas.

Esta tese é fortemente sustentada pelas entrevistas de rastreio clínico realizada aos pacientes em vários países, mas também por análises laboratoriais. A estirpe bacteriana responsável pelo surto foi detetada na água utilizada para a produção de germinados nos Países Baixos e Irlanda do Norte. Adicionalmente, foram encontradas ligações epidemiológicas diretas a um produtor na Finlândia.

Contaminação terá ocorrido fora da Europa

Os trabalhos de rastreabilidade permitiram identificar um fornecedor comum de sementes, tendo os lotes de alfafa sob suspeita sido importados da Índia antes de serem amplamente distribuídos pelo mercado europeu.

Os dados recolhidos apontam que a contaminação terá ocorrido ainda na origem, ou seja, antes de as sementes germinadas entrarem em solo europeu e de terem sido submetidas ao processo de germinação e distribuição nos diferentes países afetados.

Medidas de controlo reduzem o risco

As autoridades de segurança alimentar e de saúde pública dos países visados reagiram rapidamente e implementaram uma série de medidas de controlo em carácter de urgência. Entre estas destacam-se a retirada imediata do mercado dos lotes de sementes implicados, o fecho de circuitos e recolha de sementes germinadas já à venda e destruição preventiva de todos os produtos considerados suspeitos.

Graças a estas intervenções, o número de novos contágios registou uma quebra acentuada. Contudo, os especialistas alertam que não é possível excluir o aparecimento de novas infeções isoladas até que a fonte de contaminação esteja totalmente controlada e isolada.

Dado que não foram reportados novos casos desde o início de junho, o risco atual para os consumidores regulares de sementes germinadas é classificado pelas autoridades como “baixo a moderado”.

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