Decifrar infeções alimentares com o sequenciamento genómico

FOTO ANTALYATV_COM/ PIXABAY

Christina Genet

A Comissão Europeia pretende acelerar as investigações na luta contra surtos de origem alimentar. O sequenciamento de genoma completo parece ser um método promissor para compreender melhor a origem e a propagação destas epidemias.

Salmonella enterica, Listeria monocytogenes e Escherichia coli. Por trás destes nomes de origem latina escondem-se bactérias patogénicas para o ser humano que podem causar infeções alimentares. Por vezes, estas podem transformar-se em surtos de origem alimentar – ou seja, quando mais de duas pessoas desenvolvem a mesma doença após terem consumido o mesmo alimento contaminado.

Para combater melhor estes tipos de epidemias, a Comissão Europeia estabeleceu um Regulamento de Execução para identificar as causas destas doenças transmitidas por alimentos através do sequenciamento do genoma completo. Além disso, divulgou recomendações para apoiar os Estados Membros na implementação destas regras, através de um FAQ publicado no dia 26 de março.

O sequenciamento de genoma completo é um método avançado de tipagem molecular que permite a análise detalhada dos genomas microbianos. Pode levar à identificação de genes responsáveis por doenças, determinar a origem dos agentes patogénicos e compreender o seu modo de propagação. No caso de uma infeção alimentar, facilita a identificação da comida responsável pelo desenvolvimento de uma epidemia de origem alimentar.

Este método de investigação, um dos mais avançados até hoje, encontra-se no centro da nova estratégia de saúde pública alimentar da Comissão Europeia. De facto, cada Estado Membro deve comprometer-se a realizar uma investigação epidemiológica deste tipo assim que detete o início de um surto de origem alimentar no seu território. Para faciliar os processos de investigação recomenda-se, em caso de suspeita de ligação a uma potencial epidemia, a recolha dos seguintes isolados bacterianos provenientes de alimentos ou animais: Salmonella enterica, Campylobacter jejuni, Campylobacter coli, Listeria monocytogenes e Escherichia coli.

A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar compila depois os resultados das investigações dos diferentes países no sistema One Health. Os dados nacionais recolhidos podem assim ser comparados a nível europeu, facilitando a identificação da origem da epidemia, bem como eventuais ligações entre países e setores afetados. Embora o regulamento já tenha entrado em vigor no dia 31 de janeiro passado, só será aplicado a partir de agosto de 2026, dando assim um período de adaptação aos 27.

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