Confiança condiciona aceitação da inovação alimentar na Europa

  • 07 setembro 2026, segunda-feira
  • Consumo

Confiança condiciona aceitação da inovação alimentar na Europa

FOTO MARSHALOK BREND / UNSPLASH 

Margarida Caferra

A abertura dos consumidores europeus a produtos alimentares inovadores aumentou de 28 % para cerca de 31 %, embora a predisposição para experimentar algumas novas tecnologias tenha diminuído. Um estudo do EIT Food Consumer Observatory identifica a confiança no sistema alimentar como um dos principais fatores associados à aceitação da inovação.

A investigação, intitulada Trust in innovation: Between familiarity and fear, analisou as respostas de cerca de 20 mil consumidores de 18 países europeus. Entre aqueles que confiam no sistema alimentar, 38 % mostram-se abertos à inovação, enquanto entre os consumidores com baixos níveis de confiança a percentagem desce para 6 %.

Apesar do aumento global registado entre 2024 e 2025, a disponibilidade para experimentar algumas tecnologias alimentares diminuiu. Entre as soluções que encontram maior resistência estão as proteínas à base de insetos, os produtos lácteos obtidos através de fermentação de precisão e a carne cultivada. Segundo o estudo, a aceitação pode ser condicionada pela reduzida familiaridade com estas tecnologias, bem como por valores culturais, pessoais ou religiosos.

A idade influencia também a predisposição para experimentar novos produtos. Quase dois em cada cinco consumidores entre os 18 e os 34 anos mostram-se abertos à inovação alimentar, proporção que desce para menos de um em cada cinco entre aqueles com 55 ou mais anos.

A relação entre confiança e aceitação mantém-se entre consumidores particularmente atentos à alimentação e à sustentabilidade. Entre os que manifestam uma forte intenção de manter uma alimentação saudável, 32 % daqueles com elevada confiança no sistema alimentar estão disponíveis para experimentar novas tecnologias, face a 8 % entre aqueles com baixa confiança. No grupo orientado para a sustentabilidade, as percentagens são de 35 % e 10 %, respetivamente.

Klaus G. Grunert, professor de marketing na Universidade de Aarhus e responsável pelo EIT Food Consumer Observatory, considera que a aceitação das tecnologias menos familiares depende de uma comunicação que vá além da explicação técnica. Segundo o responsável, é necessário mostrar de que forma os novos alimentos são seguros, úteis e relevantes para o quotidiano dos consumidores.

Os resultados mostram que a confiança e a familiaridade condicionam a aceitação de novas tecnologias alimentares, mesmo entre os consumidores que atribuem particular importância à saúde ou à sustentabilidade.

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