Refeitórios públicos: novo guia quer ementas mais verdes

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João Guilherme Oliveira
A introdução diária de leguminosas e hortícolas nos refeitórios públicos portugueses poderá traduzir-se numa poupança direta de 57 milhões de euros anuais para os cofres do Estado. A conclusão faz parte do novo guia técnico da associação ProVeg Portugal, que visa transformar radicalmente a contratação pública de alimentos no país através de critérios mais ecológicos e saudáveis.
O documento, intitulado ‘Ementas e Compras Públicas Sustentáveis: Leguminosas na Restauração Pública’, surge como uma ferramenta de orientação para as entidades que gerem cantinas escolares, hospitalares e prisionais. A meta proposta pela organização é ambiciosa: fazer com que 85% dos alimentos adquiridos pelas instituições públicas sejam de origem vegetal.
"Verificámos que ações simples, como incluir mais vegetais nas ementas, não só reduz a pegada ecológica, como constitui uma oportunidade de poupança financeira substancial para os cofres do Estado português", sublinha Joana Oliveira, Diretora Nacional da ProVeg Portugal.
A responsável lembra ainda que o peso económico destas decisões é gigante, dado que a contratação pública representa cerca de 15% do PIB de toda a União Europeia.
O triplo impacto: Carteira, clima e saúde
Os argumentos apresentados no manual assentam num estudo da Bryant Research e dividem-se em três eixos fundamentais:
- Eficiência Orçamental: Além dos 57 milhões de euros poupados diretamente na compra de matérias-primas, estima-se uma redução adicional de 177,4 milhões de euros em custos associados ao impacto ambiental.
- Saúde Pública: A transição alimentar proposta teria a capacidade de evitar quase 26 mil futuros casos de obesidade na população adulta em Portugal, aliviando a pressão a longo prazo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
- Apoio à Produção Nacional: O guia defende a priorização de circuitos curtos de abastecimento, privilegiando produtos sazonais, biológicos e de proximidade, o que daria um forte balão de oxigénio à agricultura local.
O desafio de aproximar os portugueses do feijão e do grão
Um dos maiores obstáculos identificados pela associação é o paradoxo do consumo em Portugal. Apesar de alimentos como o feijão, o grão-de-bico, as lentilhas e as favas fazerem parte da identidade gastronómica do país, o seu consumo real diário está significativamente abaixo das recomendações da Roda dos Alimentos.
Para reverter esta tendência e garantir que as novas ementas são bem aceites pelos utentes, o manual propõe quatro pilares fundamentais para a revisão dos cadernos de encargos: a obrigatoriedade diária de leguminosas, a diversificação das fontes de proteína, a escolha de produtos menos processados e a restrição severa aos alimentos ultraprocessados.
Para acelerar esta transição, a ProVeg Portugal anunciou que vai disponibilizar apoio técnico e consultoria gratuita a todas as autarquias e organismos públicos que queiram rever os seus contratos de fornecimento de refeições, garantindo que a adequação nutricional ande de mãos dadas com a viabilidade económica.
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