UE lança estratégia para acelerar inovação agroalimentar

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Margarida Caferra
A Comissão Europeia (CE) lançou uma nova abordagem estratégica para acelerar a aplicação da investigação e inovação no setor agroalimentar. A estratégia articula os programas AgRI 2040 e Food 2040 e pretende aproximar investigadores, empresas e utilizadores finais para testar soluções em condições reais e facilitar a sua chegada ao mercado.
A nova abordagem abrange agricultura, floresta, zonas rurais e sistemas alimentares e acompanha todo o percurso da inovação, desde as fases iniciais de investigação até à aplicação e adoção pelo mercado. Um dos objetivos é facilitar a transferência de soluções desenvolvidas na Europa para os diferentes intervenientes do setor agroalimentar e para os consumidores.
A CE pretende, para isso, reforçar a participação dos utilizadores finais, investigadores e empresas no desenvolvimento, teste e demonstração de soluções em condições reais. A estratégia deverá também apoiar startups, scaleups e pequenas e médias empresas na aproximação de novas tecnologias ao mercado.
“A Europa lidera na ciência e investigação, mas demasiadas soluções inovadoras continuam a ter dificuldades em chegar aos consumidores e aos mercados”, afirma Ekaterina Zaharieva, comissária europeia para as Startups, Investigação e Inovação. O objetivo, acrescenta, é apoiar inovadores e empresas na transformação de ideias em soluções que aumentem a competitividade e reforcem a segurança alimentar, a segurança dos alimentos, a sustentabilidade e a resiliência.
Food 2040 centra investigação nos sistemas alimentares
A estratégia assenta em dois quadros interligados. O AgRI 2040 dirige-se à agricultura, floresta e zonas rurais, enquanto o Food 2040 se concentra nos sistemas alimentares, incluindo a pesca e a aquicultura. Ambos deverão orientar a investigação e inovação financiadas pela União Europeia através do Horizonte Europa 2028-2034 e de áreas relevantes do Fundo Europeu para a Competitividade.
Para a indústria alimentar, o Food 2040 estabelece seis áreas de ação. Estas abrangem sistemas alimentares de base territorial, dietas saudáveis, eficiência na utilização de recursos e redução da poluição nos sistemas alimentares, ambientes alimentares e capacitação dos consumidores, expansão de soluções inovadoras e de novos modelos de negócio e alimentos de origem aquática.
Os dois programas partilham ainda prioridades, que abrangem competitividade, segurança alimentar, resiliência e preparação, recursos naturais e circularidade, segurança dos alimentos para consumo humano e animal, nutrição e saúde, equidade e cooperação internacional.
Digitalização e inteligência artificial entre as prioridades
No AgRI 2040, as oito áreas preliminares de intervenção incluem solos e agroecossistemas, sistemas de produção vegetal e animal, bioeconomia, florestas, zonas rurais e cadeias de valor agroalimentares, além da digitalização, inteligência artificial e robótica.
A definição da estratégia teve também em conta consultas realizadas às partes interessadas, que identificaram a necessidade de criar ligações mais fortes entre investigação, aplicação e entrada no mercado e de aproximar a inovação das necessidades dos utilizadores.
Os dois quadros serão desenvolvidos progressivamente. A Conferência AgRI 2040, que decorre nos dias 24 e 25 de setembro, em Bruxelas, reúne representantes do setor agroalimentar e da comunidade de investigação e inovação para discutir as futuras prioridades europeias nesta área.
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