GEA aposta na valorização de subprodutos do azeite

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Margarida Caferra
A GEA está a desenvolver soluções para adaptar o processamento de azeite às alterações nas condições de produção no Mediterrâneo, com tecnologias destinadas a reduzir o consumo de água, recuperar mais valor dos subprodutos e manter o rendimento e a qualidade do azeite. A empresa está também a trabalhar em projetos-piloto orientados para o aproveitamento integral da azeitona.
As temperaturas mais elevadas e a irregularidade da precipitação estão a alterar as condições em que a azeitona chega aos lagares. Segundo a GEA, o calor excessivo durante a colheita está a favorecer a oxidação e a fermentação das azeitonas antes de chegarem ao lagar, aumentando os níveis de ácidos gordos livres e reduzindo o teor de polifenóis. A redução do teor de azeite no fruto pode também dificultar a extração.
Steffen Hruschka, engenheiro sénior de processos da GEA, explica que a maturação mais rápida está a obrigar a antecipar a colheita, que pode decorrer com temperaturas próximas dos 30 °C, face aos 10 a 17 °C anteriormente registados. Nestas condições, “manter a qualidade torna-se muito difícil”, afirma.
A empresa está, por isso, a estudar formas de ajustar os parâmetros das linhas automatizadas para manter o rendimento e a qualidade do azeite em condições de processamento mais exigentes. Os sistemas de arrefecimento são outra das soluções apontadas para limitar os efeitos das temperaturas mais elevadas.
Menos água no processamento
A redução do consumo de água constitui outra área de intervenção. A GEA introduziu no início da década de 1990 o decanter de duas fases como alternativa ao processo convencional de separação em três fases. Atualmente utilizado no setor, o sistema reduz a necessidade de água no processamento e a quantidade de águas residuais geradas.
A empresa considera que a adaptação dos lagares passa também pela recuperação de valor dos fluxos secundários do processamento, nomeadamente a água de vegetação e o bagaço húmido.
Este último representa cerca de 80 % do peso total da azeitona processada e contém azeite, água e matéria orgânica com potencial de aproveitamento. A GEA desenvolveu um método de reprocessamento que permite recuperar azeite adicional e reduzir o teor residual de azeite no bagaço. O azeite recuperado deixa de ter qualidade de azeite virgem extra, mas pode ser utilizado em aplicações alimentares e industriais.
A água recuperada do bagaço fresco contém açúcares e polifenóis não oxidados, com possíveis aplicações nas indústrias química, cosmética, alimentar e de alimentação animal. A fração sólida contém, por sua vez, açúcares, proteínas, amido e celulose e pode ser encaminhada para produção de bioenergia, alimentação animal ou produção de húmus.
Projetos testam aproveitamento integral da azeitona
A GEA está a trabalhar com o laboratório Eurofins Analytik, em Hamburgo, e outros parceiros em projetos-piloto de resíduo zero destinados a extrair valor da totalidade da azeitona. O objetivo é substituir um modelo linear por um sistema em que bagaço, caroços e água de vegetação são tratados como recursos para novos processos.
Parte deste modelo já está a ser testada em condições reais de produção no sul da Europa. Em Espanha, um produtor integrou um decanter da GEA para valorizar os fluxos secundários da produção de azeite, reduzindo os resíduos do processamento e obtendo receitas adicionais através do aproveitamento de caroços, água de vegetação e bagaço.
Hruschka estima ainda que metade do peso da colheita de azeitona pode ser transformada em matéria orgânica para produção de húmus. Tomando como referência uma colheita de sete milhões de toneladas de azeitona em Espanha, o potencial corresponderia a 3,5 milhões de toneladas de material utilizável por ano.
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