Cadeias curtas de abastecimento alimentar: estudo aponta necessidade de investir na aprendizagem

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Revisão publicada na Frontiers aponta para a necessidade de considerar a aprendizagem nas cadeias curtas de abastecimento alimentar de forma mais explícita e sistemática, e não apenas como subproduto da participação
“More than just markets: learning and knowledge co-creation in short food supply chains—A scoping review” é um artigo publicado a 25 de maio na revista científica Frontiers, que analisou os mecanismos através dos quais a aprendizagem e a troca de conhecimentos ocorrem no âmbito das cadeias curtas de abastecimento alimentar (SFSC, na sigla original).
Dando como adquiridos os benefícios económicos e sociais de cadeias caracterizadas pela redução de intermediários e promoção de interações mais diretas e localizadas, os investigadores focaram-se nos mecanismos em que a aprendizagem ocorre, e também no papel da governação na facilitação desses processos. Os autores perceberam que a experiência, a interação e a observação são centrais para a aprendizagem neste tipo de situação, e que tanto estruturas informais como não formais sustentam estes processos. Por isso, o estudo recomenda que a aprendizagem seja considerada de forma mais explícita e sistemática, “como um processo moldado por dinâmicas organizacionais e relacionais específicas”.
Os resultados demonstram também a importância da aprendizagem e do desenvolvimento de capacidades a nível local para alcançar sistemas alimentares sustentáveis e promover a transformação rural, mas constatam que os esforços políticos atuais negligenciam frequentemente a aprendizagem experiencial e comunitária que ocorre nestes contextos, deixando a ideia de que os governos locais e as instituições que promovem o consumo e a produção sustentáveis poderiam beneficiar de parcerias mais fortes com iniciativas ligadas a cadeias curtas. Em termos concretos, os investigadores sugerem formações conjuntas, campanhas de sensibilização ou programas educativos co-desenhados que reflitam as realidades da governação local e as necessidades das comunidades.
Os resultados alcançados com este estudo sublinham o papel das autoridades locais, organizações da sociedade civil e instituições educativas na facilitação e apoio destes processos de aprendizagem.
Os investigadores concluem que, em última análise, “apoiar as funções de aprendizagem das cadeias curtas pode contribuir não apenas para a sua sobrevivência, mas também para o seu potencial enquanto forças transformadoras dos sistemas agroalimentares”.
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