Dimensão das embalagens entre fatores do desperdício alimentar

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Margarida Caferra
Uma análise de 54 estudos científicos identifica a dimensão, os danos e as dificuldades de utilização das embalagens entre os fatores associados ao desperdício alimentar. Melhorias no desenho, maquinaria e adaptação dos formatos aos diferentes produtos podem contribuir para reduzir perdas ao longo da cadeia alimentar.
Uma análise realizada por investigadores do Sustainable Packaging Institute da Universidade de Albstadt-Sigmaringen, na Alemanha, e publicada em 2025 no Journal of Consumer Protection and Food Safety, avaliou 54 estudos científicos internacionais para identificar as causas do desperdício alimentar relacionadas com as embalagens e perceber de que forma estas podem contribuir para gerar ou evitar perdas.
Entre os principais problemas identificados estão as embalagens difíceis de esvaziar, danificadas ou de dimensão excessiva. Os investigadores apontam, entre as medidas que podem contribuir para reduzir desperdício: melhorias no desenho e adaptação das dimensões das embalagens, maquinaria, e a sensibilização dos consumidores.
Embalagens têm impacte diferente consoante os alimentos
Num dos estudos analisados, a proporção de desperdício relacionada com a embalagem variou significativamente consoante o tipo de alimento:
- produtos lácteos, com 89 % do desperdício associado às embalagens;
- outros alimentos e produtos básicos, com 80 %, destacando-se o pão, com 68 %;
- carne e peixe, com 73 %;
- frutas e hortícolas, com 36 %, uma percentagem inferior por serem frequentemente comercializados sem embalagem.
Nos produtos lácteos, o desperdício está também associado à dificuldade em retirar completamente o conteúdo da embalagem, à quantidade desadequada às necessidades do consumidor, ao prazo de validade e às dúvidas sobre a segurança do alimento. Os produtos lácteos são ainda os mais frequentemente descartados em embalagens abertas, seguindo-se o pão.
Dimensão e transporte podem aumentar as perdas
Nas primeiras etapas da cadeia alimentar, a dificuldade de empilhamento e a sobrecarga durante o transporte podem provocar danos mecânicos nos produtos. A análise refere um estudo realizado na Nigéria em que a utilização de cestos demasiado grandes, pouco ventilados, difíceis de empilhar e, por vezes, contaminados esteve associada a perdas médias entre 41 % e 48 % de tomate durante o transporte.
A utilização de caixas de plástico mais pequenas, ventiladas e com melhores condições de empilhamento permitiu reduzir as perdas totais de tomate para 7,7 %. Problemas durante o enchimento e o processamento, bem como informação ou códigos de barras ausentes ou ilegíveis nas embalagens, são outros fatores identificados no estudo.
Na fase de consumo, as embalagens demasiado grandes estão entre as causas mais frequentemente referidas. Quando o conteúdo não é totalmente utilizado, o alimento pode deteriorar-se depois da abertura e da perda da função protetora da embalagem. Um dos estudos analisados, realizado na Suécia, associou 49 % do desperdício alimentar doméstico às embalagens, nomeadamente à utilização de formatos de dimensão excessiva.
Os investigadores identificam ainda margem para melhorias ao nível da proteção dos alimentos, seleção dos materiais, rotulagem, facilidade de abertura e esvaziamento, controlo da temperatura e ventilação. Defendem, contudo, que o desenho das embalagens deve ter em consideração o alimento, o tipo de embalagem e a região geográfica.
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