Avaliação do impacto social, económico e ambiental da cadeia de valor da bolota a nível nacional

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A bolota, recurso tradicional das regiões de montado em Portugal, apresenta elevado potencial económico, social e ambiental. Este artigo analisa a cadeia de valor da bolota, desde a produção e colheita até à transformação, comercialização e consumo final, abrangendo as cadeias para alimentação animal, humana e valorização não-alimentar. São discutidos os impactos sociais, incluindo geração de emprego, educação ambiental e valorização cultural; os impactos económicos, com diversificação de rendimentos e oportunidades de inovação; e os impactos ambientais, com preservação da biodiversidade, mitigação de incêndios e promoção da sustentabilidade do montado. Os resultados destacam a bolota como recurso estratégico para territórios rurais resilientes e desenvolvimento sustentável.
A cadeia de valor da bolota
A cadeia de valor da bolota compreende um conjunto de etapas interligadas - da produção à comercialização - que, quando organizadas e potenciadas, podem gerar valor acrescentado para os territórios rurais, preservar sistemas agro-florestais como o montado e responder a novas exigências de mercado.
Por definição, uma cadeia de valor representa o conjunto de atividades que uma matéria-prima percorre até chegar ao consumidor final, sendo possível segmentá-la, de forma simplificada, em produtores, transformadores, distribuidores e consumidores. Entre estes elos, operam ainda os canais logísticos, que asseguram o transporte, armazenamento, acondicionamento e circulação da matéria ou produto, bem como as estruturas de regulação e certificação que garantem a sua conformidade com os padrões exigidos.
No caso da bolota, não existe uma única cadeia de valor, mas sim várias cadeias distintas, com graus de maturidade, escala e sofisticação muito diferenciados:
Cadeia de valor da bolota para alimentação animal
Esta é a cadeia de valor mais consolidada no caso particular da bolota, especialmente nas regiões de montado e dehesa, onde a bolota tem sido tradicionalmente utilizada como alimento para suínos ibéricos em sistemas de produção extensiva. Este modelo de negócio baseia-se na recolha direta das bolotas no campo, com integração vertical nas explorações agro-pecuárias ou fornecimento a terceiros. A produção animal (especialmente o porco-preto alimentado a bolota) é posteriormente valorizada em segmentos premium de carne e enchidos, com denominação de origem. Os principais atores incluem os produtores agro-pecuários, os transformadores de carne, os certificadores de origem protegida e os distribuidores alimentares especializados.
A título de exemplo, a Herdade do Freixo do Meio, no Alentejo, integra esta cadeia com um modelo agro-ecológico que valoriza a bolota como componente central na dieta dos suínos em regime extensivo, integrando produção animal, transformação e venda direta.
Cadeia de valor da bolota para alimentação humana
Trata-se de uma cadeia emergente e ainda incipiente, mas com potencial crescente, associada a tendências contemporâneas de consumo como a sustentabilidade, alimentos ancestrais e a procura de ingredientes sem glúten ou com baixo índice glicémico. Os modelos de negócio envolvem pequenas empresas e projetos de inovação que utilizam a bolota como ingrediente em farinhas, bolachas, pães, bebidas fermentadas, snacks ou barras energéticas, com foco nos circuitos curtos de comercialização, venda direta ao consumidor, lojas de produtos biológicos ou restauração gourmet. O fornecimento de matéria-prima provém, na maioria dos casos, de recolha manual ou semi-mecanizada, sendo depois submetida a processos de secagem, descasque, trituração e transformação, geralmente em pequenas unidades locais.
Exemplos de empresas que operam neste domínio incluem a LandraTech, que trabalha na transformação de bolota para consumo humano, com foco na inovação e circularidade, e a Terrius, empresa sediada no Alto Alentejo, que comercializa farinha de bolota e outros produtos agro-alimentares, com identidade regional. (...)
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Autores Valentina Masso, Forest Research Centre e Laboratório, Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Sílvia Moreira, Food4Sustainability - Associação para a Inovação no Alimento Sustentável; Rita Paiva, Confederação Nacional de Agricultura; José Gonçalves, Confederação Nacional de Agricultura
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