Reformulação da indústria alimentar portuguesa reduz mortes por doenças cardiovasculares e diabetes

Um estudo concluiu ainda que, apesar deste decréscimo, o objetivo português de reduzir as mortes prematuras em 25% até 2025 poderá não ser alcançado.


Texto: Sofia Monteiro Cardoso

As conhecidas doenças NCDS (non-communicable diseases), como os diabetes e as doenças cardiovasculares, são responsáveis, todos os anos, por um número significativo de mortes em Portugal. No ano de 2017, 88% das mortes ocorridas no território nacional resultaram do grupo dessas doenças.

Um dos fatores de risco é a dieta dos portugueses, bem como a composição dos alimentos que circulam por toda a indústria alimentar nacional. Em consequência dos dados preocupantes, o Governo português decidiu implementar diversas medidas para prevenir as taxas de mortalidade elevadas. Em conjunto com a ONU, Portugal também se comprometeu em reduzir as mortes prematuras por estas doenças em 25% até ao ano de 2025.

O Governo português chegou a acordo com a indústria alimentar, principalmente em relação aos níveis de açúcar nos produtos, criando, inclusive, a taxa de açúcar. O sal e as gorduras foram outros componentes alvos de debate.

Os empresários da indústria alimentar têm até 2021 para diminuir as taxas destes ingredientes perigosos para a saúde. A taxa de sal deve ser reduzida em 16%, enquanto a de açúcar deve decrescer em 20%. Mais recentemente, o Governo português adicionou novas metas, entre as quais, reduzir o sal no pão até 30%.  

Um estudo recente, publicado na página da Organização Mundial da Saúde, investigou as ocorrências mortais de anos anteriores e descobriu que, se a redução do sal tivesse sido efetuada mais cedo, cerca de 610 mortes teriam sido prevenidas. Em relação ao açúcar, 265 mortes teriam sido evitadas.

A título de exemplo, 692 mortes por doença cardiovascular não teriam acontecido se as medidas tivessem sido implementadas nos anos anteriores. As gorduras não registaram nenhuma morte evitada, o que levou os investigadores a concluir que o sal e o açúcar são o maior problema do povo português.

Perante tais dados, é esperado que o número de mortes, agora que estas medidas foram implementadas, reduza. Em relação às mortes prematuras, Portugal propôs-se a reduzir o risco de morte prematura até 10,7% em 2021. Contudo, os investigadores não consideram que a meta final, que termina em 2025, seja alcançada. O número de mortes evitado não é o suficiente para alterar o paradigma português substancialmente.

Os autores do artigo acabam por concluir que, apesar das mudanças salvarem vidas em potencial risco, o impacto nas mortes prematuras é de pouca relevância.

O artigo foi escrito por uma série de investigadores, entre os quais portugueses, e tem o nome de “Modelling impacts of Food industry co-regulation on noncommunicable disease mortality".