Engenharia alimentar é a chave do caminho para a sustentabilidade

Para celebrar os 30 anos dos primeiros licenciados portugueses, a Professora Cristina L. M. Silva reforçou a crescente importância da área.

Num artigo de opinião publicado no jornal Público, a diretora do IUFoST (Comité de Educação da International Union of Food Science and Technology) afirma que “a área de Ciência e Engenharia Alimentar terá de assumir um papel de liderança na formação de profissionais altamente qualificados, capazes de desenvolver sistemas alimentares sustentáveis, incluindo a produção e o consumo, numa perspetiva holística e integrada.”

A formação assume assim um papel essencial. Atualmente, os consumidores estão mais atentos à área da alimentação saudável e sustentável, o que se revela um desafio para os profissionais, que têm que responder aos seus pedidos. Perante tal, a preparação é a chave.

O primeiro curso surgiu em Portugal na Universidade Católica, na Escola Superior de Biotecnologia. Segundo Cristina, “o objetivo foi o de criar um perfil de “Engenheiro de Processamento de Alimentos”, capaz de atuar como técnico qualificado nos processos de conservação ou produção de alimentos, a nível industrial”.

A diretora do IUFoST afirma que as exportações da indústria alimentar e de bebidas portuguesas não seriam as mesmas sem estes profissionais. Em 2018, os números foram surpreendentes e chegaram aos 5 016 milhões de euros, aumentando 3,1% face a 2017.

A nova meta da ONU, que defende que, até 2050, o mundo irá precisar de mais 60% de alimentos, é desafiante. “Neste sentido, é necessário criar estratégias de desenvolvimento e inovação para aumentar de forma sustentável a produção agrícola e alimentar, melhorar as cadeias de abastecimento globais, diminuir as perdas e desperdícios de alimentos, diminuir o impacto ambiental, economizar energia e garantir alimentos seguros e nutritivos para todos”, afirma a autora. Cabe aos engenheiros alimentares o controlo e evolução da situação.