Açores: Parlamento pede a Bruxelas maior regulação do setor leiteiro

Foi discutido esta terça-feira (5 de julho) e votado na delegação da Assembleia Regional, em Ponta Delgada, o relatório do Grupo de Trabalho de “Acompanhamento do fim do regime de quotas leiteiras nos Açores”, documento esse que, entre outros aspetos, apela à Comissão Europeia (CE) para que assegure uma maior regulação do setor entre os seus Estados-membros e respetivas regiões.

O relatório, que deverá ser esta quarta-feira aprovado pela Comissão Permanente de Economia da Assembleia Regional, conclui que a crise do leite nos Açores é, no fundo, um problema de perturbação de mercado. Que resulta do fim do regime de quotas leiteiras na UE, do embargo russo aos produtos dos Estados-membros e de uma produção excedentária (decorrente da liberalização na Europa) que, por seu lado, contrasta com o menor consumo deste produto a nível internacional.

Sendo um problema europeu que se sente com particular intensidade nos Açores por ser uma região produtora de leite por excelência, a sua resolução - explicita o documento - terá necessariamente de passar por medidas reguladoras a implementar pela CE.

Por exemplo, como refere uma fonte do AO, fomentando um melhor equilíbrio de forças entre produção, indústria e distribuição, entendendo-se que a primeira e última são, respetivamente, o elo mais fraco e forte da cadeia.

O extenso relatório, que faz o diagnóstico mas também lança recomendações, não defende a alteração essencial da estrutura produtiva existente nos Açores em torno do leite, nem a diminuição dos postos de trabalho afetos a esta atividade. Isto porque, justifica a fonte, o setor leiteiro açoriano deverá estar capacitado para responder aos desafios do mercado, sobretudo quando se der a sua recuperação.

Certo é que o setor na Região evoluiu bastante, sendo responsável por um terço da produção nacional, mesmo depois de passar de um efetivo aproximado de 6 mil para 2 mil trabalhadores ao longo das últimas décadas.

Ainda assim, o relatório admite a possibilidade de, quando assim se justificar, haver uma menor produção de leite nos Açores, bem como a entrada de jovens para esta atividade, neste caso por via da aposentação de produtores com maiores dificuldades em adaptar-se às exigências do mercado.

O documento preconiza igualmente um maior incentivo à produção regional de alimento para bovinos de modo a diminuir a dependência do arquipélago face ao exterior.

Fonte: Açoriano Oriental através da ANIL