Suplementos alimentares e saúde: evidência científica, segurança e tendências futuras

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A procura constante de um estilo de vida mais saudável, com o objetivo de aumentar a longevidade e a qualidade de vida, está intrinsecamente associada ao aumento da procura e do consumo de suplementos alimentares.
Estes produtos, ricos em nutrientes ou outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico, apresentados de forma doseada (cápsulas, comprimidos, ampolas, saquetas ou conta-gotas), destinam-se a suplementar ou complementar um regime alimentar normal. De forma geral, podem ser classificados em três categorias: vitaminas e minerais, plantas e extratos botânicos, fibras alimentares, prebióticos e probióticos, ácidos gordos essenciais e aminoácidos.
Vitaminas e minerais
As vitaminas, micronutrientes essenciais ao normal funcionamento e desenvolvimento do organismo, possuem diversas funções bioquímicas como antioxidantes, coenzimas, hormonas ou mediadores da sinalização celular. Ao contrário dos restantes nutrientes, são necessárias pequenas quantidades de vitaminas para garantir um metabolismo saudável. Estas dividem-se em duas classes: as hidrossolúveis e as lipossolúveis. A primeira classe, onde se incluem as vitaminas do complexo B e a vitamina C, são facilmente absorvidas ao longo do trato gastrointestinal e devem ser consumidas diariamente. Já as lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K necessitam de bílis ou lipase pancreática, assim como a ingestão de alguma gordura para que a sua absorção ocorra e, devido à sua capacidade de armazenamento no fígado e no tecido adiposo, o seu consumo pode ser menos regular.
Tal como as vitaminas, os minerais são elementos químicos inorgânicos necessários para o normal funcionamento bioquímico do organismo, devendo ser obtidos através da alimentação, já que não são sintetizados pelo organismo. Podem ser divididos em microminerais (ferro, zinco, iodo), necessários em pequenas quantidades e envolvidos em diversos processos metabólicos e macrominerais (magnésio, potássio, fósforo, sódio e cálcio), necessários em quantidades superiores e com papel fundamental na função muscular e nervosa, no equilíbrio hidroeletrolítico e na formação óssea.
A ingestão inadequada de vitaminas e minerais pode levar a uma diversidade de síndromes de gravidade variável. Uma alimentação equilibrada é, na maioria dos casos, suficiente para responder às necessidades do organismo. No entanto, situações específicas, como aumento das exigências fisiológicas e dietas restritivas, podem justificar o uso de suplementos multivitamínicos-minerais. Exemplos destas situações incluem a gravidez e a amamentação, o envelhecimento e o exercício físico excessivo. A incidência de algumas patologias, como a alopecia, a anemia e a osteoporose, ou doenças que reduzam a absorção de nutrientes, também implicam suplementação.
A vitamina D, por exemplo, desempenha um papel fundamental na saúde óssea e na imunidade, sendo recomendada em idosos ou populações com baixa exposição solar. As vitaminas do complexo B possuem uma variedade de ações no organismo, estando envolvidas em reações metabólicas essenciais como síntese de hormonas, metabolismo de proteínas e de hidratos de carbono. O ácido fólico (vitamina B9), por exemplo, é fundamental na formação e maturação de glóbulos vermelhos e reduz o risco de algumas anomalias congénitas, sendo a sua suplementação essencial durante a gravidez. A vitamina B12 é frequentemente necessária em dietas vegetarianas e veganas, já que a sua obtenção está dependente do consumo de produtos de origem animal. Quanto aos minerais, o magnésio tem sido associado a benefícios a nível da função muscular, fadiga e qualidade do sono, embora a sua eficácia dependa da sua forma química e biodisponibilidade. O zinco contribui para o aumento da imunidade, síntese de DNA e para a cicatrização de feridas, enquanto o ferro é essencial para prevenir ou controlar a anemia ferropriva. O selénio, micromineral com elevada capacidade antioxidante, protege as células de danos oxidativos.
Plantas e extratos botânicos
A utilização de substâncias químicas sintéticas na saúde está, hoje em dia, amplamente estabelecida. Contudo, a procura e utilização de alternativas mais naturais tem vindo a aumentar. Uma das formas mais antigas de cuidados de saúde conhecidas pela humanidade é a utilização de plantas medicinais ou dos seus respetivos extratos. Uma planta medicinal caracteriza-se por ter na sua composição moléculas capazes de exercerem efeitos farmacológicos que permitem a sua utilização direta ou indireta na prevenção ou tratamento de determinada patologia, como hipertensão, hipercolesterolemia, infeções urinárias, gripes e constipações ou distúrbios gastrointestinais. Estas moléculas, metabolitos secundários da planta, podem ser fenólicos, terpenos, esteróides, alcaloides e flavonoides, estando a elas associadas diversas ações benéficas. Destas, destaca-se a atividade antioxidante, que auxilia na redução dos danos provocados pelo stress oxidativo, o qual contribui para o desenvolvimento e agravamento de diversas doenças crónicas, como diabetes, doenças cardiovasculares ou neurodegenerativas e tumores. Além disso, a atividade anti-inflamatória, antimicrobiana, antidiabética, anestésica e ansiolítica também têm sido associadas a estas substâncias (...)
Autores
Nathalie Portelada
Tayse F. F. da Silveira
Lillian Barros
Investigadoras do Centro de Investigação de Montanha
Instituto Politécnico de Bragança
Leia o artigo completo na TecnoAlimentar 45, outubro/ dezembro 2025, dedicada ao tema "Suplementos alimentares: Benefícios e autenticidade"
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