Queijo Camembert pode estar em vias de extinção

Para ganhar a denominação de origem protegida, o Camembert de Normandie tem de ser feito com leito não pasteurizado e um teor de gordura de pelo menos 38% provenientes de vacas da província da Normandia, alimentadas em condições estritas com erva e feno de pastagens locais.

queijo

É o segundo queijo mais popular em França e um dos mais vendidos no mundo inteiro, mas o verdadeiro queijo Camembert pode estar a desaparecer.

Aliás, a questão nem é a extinção do queijo originário da vila com o mesmo nome na região francesa da Normandia, mas sim a deturpação da receita, como explicou um dos autores do livro “A Reinvenção da Roda”, Francis Percival, à agência Bloomberg.

São produzidos anualmente 360 milhões de queijos Camembert em França, mas um olhar atento para a consistência e até cor do produto poderá revelar as falsificações. Tal como o Brie, o famoso Camembert é um queijo suave, com um centro espesso e cremoso.

A casca – que, ao contrário do que muitos defendem, deve ser comida – deve ser ligeiramente acastanhada. Se for demasiado brilhante e branca, significa que é uma versão industrial. Demasiado castanha e o queijo poderá estar estragado.

Uma forma mais simples de encontrar o produto original, o Camembert de Normandie, é procurar o carimbo que indica denominação de origem protegida (ou L’appellation d’origine protégée – AOP – em francês).

Para ganhar a denominação, o Camembert de Normandie tem de ser feito com leito não pasteurizado e um teor de gordura de pelo menos 38% provenientes de vacas da província da Normandia, alimentadas em condições estritas com erva e feno de pastagens locais. As vacas são mugidas manualmente com uma técnica específica e o leite não pode ser transportando mais do que uma determinada distância.

Mas saber identificar o produto genuíno não quer dizer que seja mais fácil de o encontrar. Dos 360 milhões de queijos produzidos todos os anos, apenas quatro milhões, ou seja pouco mais de 1%, seguem a receita e as regras de origem, de acordo com os dados da Bloomberg.

Fonte: Jornal Económico