Primeiro leite biológico dos Açores chega em breve ao mercado

São oito os produtores da ilha Terceira que há dois anos trabalham na conversão das suas explorações para a produção biológica. O primeiro leite biológico dos Açores deverá chegar em breve ao mercado.

Açores leite biológico

Texto: Ana Catarina Monteiro

A proposta de criação de um leite biológico na Terceira partiu, há dois anos, da única fábrica de leite daquela ilha - a Pronicol, que incentivou os produtores com um acréscimo de dez cêntimos por litro no pagamento. Em contrapartida, os produtores teriam que reduzir o efetivo e alterar os hábitos de uma vida.

De acordo com a agência Lusa, o desafio foi aceite por oito lavradores e seis estão só a aguardar pelos últimos resultados da entidade certificadora para verem o seu produto chegar às prateleiras dos hipermercados.

Os primeiros oito lavradores deverão colocar no mercado entre “3500 a 4000 litros de leite por dia”, avança a Lusa, referindo que quem já provou o primeiro leite biológico dos Açores garante que “é mais saboroso” e já mostrou ser uma boa opção para a confeção de arroz doce, por exemplo.

Com a conversão para o modo de produção biológica, o número de vacas das explorações envolvidas diminuiu, em alguns casos, de 60 para 40 (por produtor) e a sua alimentação passou a basear-se quase em exclusivo no pastoreio, por isso a produção de rolos de erva também foi reduzida.

Os tratores, adquiridos com apoios da União Europeia (UE), estão agora arrumados na garagem e em vez de utilizarem herbicidas contratam trabalhadores para limpar as infestantes manualmente.

Foi o preço que convenceu os produtores a reaprender tudo o que julgavam saber sobre a produção de leite, mas, passados dois anos, mudaram de práticas e de mentalidade.

“Há dois anos o que nos aliciou para entrar neste projeto foi o facto de termos mais dez cêntimos por litro de leite na conversão para o leite biológico, hoje já pensamos que estamos a fazer um produto diferenciado, com valor acrescentado, estamos a proteger o meio ambiente, não usamos herbicidas, não usamos adubos químicos. A mentalidade do agricultor está a modificar”, sublinhou em declarações à Lusa, Anselmo Pires, presidente da Associação de Jovens Agricultores da Terceira (AJAT) e um dos oito produtores que integram o projeto.

Os lavradores da ilha Terceira dizem ser os mais mal pagos de todo o arquipélago dos Açores, com um preço médio por litro de leite de 26 cêntimos. Prejudicados pelo fim das quotas leiteiras, nem todos se deixaram convencer pela ideia de produção em modo biológico. Mas o presidente da AJAT acredita que depois de verem os resultados, mais lavradores se juntarão ao projeto.