Número de produtos com o selo “Portugal Sou Eu” aumentou mais de 70% em 8 meses

portugal_sou_euDesde o início do ano, o número de produtos com o selo “Portugal Sou Eu” aumentou 71%, de 1409 em Fevereiro para 2403 em finais de Setembro. De acordo com os dados avançados ao PÚBLICO pelo Secretário de Estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, o programa conta com 289 empresas aderentes, 58% das quais microempresas, ou seja, com um máximo de dez trabalhadores. Apenas 2% são de grande dimensão. Neste momento, há outros 295 produtos com a certificação em curso.

A Presidência da República vai acolher, amanhã, uma mostra destes artigos e empresas no âmbito da celebração do aniversário da Implantação da República. Entretanto, o Governo prepara-se para fazer um balanço da iniciativa a 30 de Outubro, dia em que termina oficialmente a primeira fase do programa, financiado pelo Compete – Programa Operacional Factores de Competitividade, e criado para distinguir produtos fabricados em Portugal. A verba global de 3,9 milhões de euros (85% comparticipadas pelos fundos comunitários) foi aplicada na divulgação da nova marca, não se sabendo ainda qual é a próxima dotação. Uma coisa é, pelo menos, certa. O “Portugal Sou Eu” vai continuar. “Temos de manter a campanha e os eventos que se têm vindo a realizar pelo país e dar visibilidade ao grande público”, diz Leonardo Mathias. No dia 30, será também lançado o “debate para a segunda edição”.

Aprovado em Conselho de Ministros em 2011, o “Portugal Sou Eu” só foi formalmente apresentado às empresas em Dezembro de 2012 e é gerido pelo IAPMEI-Agência para a Competitividade e Inovação, num consórcio que integra ainda a Confederação dos Agricultores de Portugal, a Associação Empresarial de Portugal e a Associação Industrial Portuguesa. Veio substituir o “Compro o que é Nosso”, criado pela Associação Empresarial de Portugal em 2006. A intenção é, na segunda fase, incluir produtos de marca própria e alargar a iniciativa aos serviços. Também se pretende abrir a participação à Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição e à AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.

O Secretário de Estado Adjunto e da Economia adianta que 57% das empresas aderentes operam na indústria transformadora, 18% na agricultura e 18% no comércio. A larga maioria dos produtos já qualificados com o selo (74%) têm patentes registadas. Bragança, Porto, Viseu e Lisboa são os distritos com maior número de adesões.

“’O Portugal Sou Eu’ é visto como um elemento diferenciador para as microempresas. São mais flexíveis e encontram uma vantagem clara em aderir”, diz Leonardo Mathias. O selo, continua, distingue produtos de valor acrescentado, ao mesmo tempo que informa o consumidor. “É um catalisador emocional que convoca os portugueses para consumirem produtos nacionais”, continua.

As empresas aderentes representam um total de volume de negócios de 3100 milhões de euros, que correspondem a 4,7% das importações e 3% do consumo privado registados em 2013. Apenas 4% tem uma facturação acima dos 50 milhões de euros, mas o secretário de Estado insiste que a intenção do programa é abranger todos os tipos de produtos, não fazendo diferenciações entre grandes e pequenas empresas, apesar de isso ter impactos na visibilidade do selo. Leonardo Mathias diz ainda que a Sonae (dona do Continente e do PÚBLICO) aderiu recentemente ao programa e está “a certificar produtos”. “O que queremos é sensibilizar para as vantagens quer para as empresas quer para os consumidores”, afirmou.

Para aderirem ao selo do “Portugal Sou Eu”, as empresas têm de candidatar individualmente cada produto e calcular a percentagem de incorporação nacional (igual ou superior a 50%) através de uma matriz definida pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ). O IPQ considera este valor como “a percentagem dos custos directos afectos ao processo produtivo de determinado produto ou família de produtos, que corresponde à fracção dos custos directos de produção associados a factores de produção exclusivamente nacionais”. A Imperial (chocolates Regina) ou a Valente Marques (dona do arroz Caçarola) já ostentam a imagem nos seus produtos. Também a McDonald’s conseguiu obter o selo com a Mc Bifana.

Selo para exportação ainda com pouca visibilidade
O selo criado para distinguir os produtos nacionais no estrangeiro foi anunciado em Julho mas ainda tem pouca visibilidade entre as empresas. O Ministério da Economia sublinha que só recentemente começou a ser usado e, por isso, ainda não é possível fazer um balanço.

A imagem é a mesma do “Portugal Sou Eu”, apenas muda a frase que a acompanha (“Portugal” em vez de “Portugal Sou Eu”). A intenção é que as acções de promoção da AICEP, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal em feiras internacionais passem a ostentar o símbolo. “Muitas empresas iam para as feiras de forma individual e com esta marca podem estar presentes com uma imagem comum”, diz Leonardo Mathias, acrescentando que há vantagens na partilha de custos. Até 2015, estão previstas 457 acções de promoção externa em 41 países, de 18 sectores de actividade. As associações empresariais também poderão usar a marca Portugal.

 

Fonte: Público.