Brexit provoca quebra nas vendas de vinho do Porto e vinho verde

Desde o referendo que ditou o Brexit que as exportações para o Reino Unido da indústria têxtil e do setor do vinho caíram 20 e 20,9 por cento, respetivamente.

brexit

Os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia já se começam a fazer sentir em alguns setores da economia, como são os casos dos vinhos, indústria têxtil e vestuário.

Em Portugal, estas duas áreas já tiveram quebras de 86 milhões de euros ao nível das exportações, 80 milhões nas vendas têxteis e seis milhões no vinho do Porto, segundo o Jornal de Notícias desta quinta-feira.

O setor do vinho do Porto já havia contabilizado até ao passado mês de outubro, uma quebra de 20,9 por cento nas vendas para o Reino Unido face ao período homólogo de 2017.

António Saraiva, da Associação de Empresas de Vinho do Porto, assume que esta é «uma situação extremamente preocupante» e cuja indefinição não está a ajudar em nada os negócios com o quinto maior exportador da região.

O volume de exportações de vinho do Porto é de 290 milhões de euros, sendo que quase 30 milhões são para o Reino Unido.

Também o vinho verde está a gerar preocupação na região do Minho. Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, afirma que «o Reino Unido é um dos mercados de maior relevo para o vinho verde», sendo que «em 2017 representou 3,1 milhões de euros e em 2018 já ultrapassou este valor até outubro, estando a crescer 14 por cento», sublinhando que «fecharemos o ano próximos dos 3,5 milhões de euros de exportações. Sendo o Brexit preocupante, este clima de incerteza ainda o é mais».

Ao mesmo jornal, o diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Paulo Vaz, refere que «o impacto já está a acontecer. Desde que o referendo que ditou o Brexit, as exportações da indústria têxtil e vestuário já perderam quase 20 por cento do seu valor, o que é particularmente relevante quando pensamos no quarto maior mercado externo e com vendas superiores a 400 milhões de euros por ano».

Fonte: jornaleconómico