Bebidas e frescos vendem dez vezes mais em Portugal

  • 05 dezembro 2016, segunda-feira
  • mercados

Produtos frescos terão sido inflacionados por mau ano agrícola, acrescentando valor ao consumo português.

O verão e as promoções aceleraram as vendas de bens de grande consumo e a subida é maior do que na Europa.

Terá sido o calor mas também as promoções e um ponto de partida muito baixo, por causa da recessão, que ditaram o forte aumento das vendas dos supermercados portugueses, no terceiro trimestre deste ano, dez vezes superior à média europeia.

As vendas de bens de grande consumo (BGC) em Portugal cresceram 3,2% em valor, os preços subiram 0,5%, depois de uma deflação de -0,6% no período homólogo e as vendas em volume, mais 2,7%, situaram-se bem acima da média europeia, com mais 0,3%.

Neste ano, até ao final do verão, o retalho alimentar vendeu 6,442 milhões de euros, mais 2% do que há um ano.

Para estes resultados de forte aumento nas vendas em supermercados, hipermercados e lojas tradicionais contribuíram, especialmente, as bebidas não alcoólicas, mais quatro por cento e as bebidas alcoólicas, mais 3%, além dos congelados, com mais 4% e dos produtos para higiene do lar, mais 3%.

A única categoria de produtos que continua a perder vendas, apesar de alguma recuperação, são os laticínios -1%.

Também a recuperar, apesar de ainda estarem em terreno negativo, estão as marcas da distribuição, -1 contra – pontos percentuais (p.p.) no mesmo período de 2015, cujo crescimento tem sido ultrapassado pelas marcas de fabricante, mais três pontos.

As marcas da distribuição conseguiram destacar-se especialmente durante o verão na categoria da higiene pessoal, o que terá a ver com o recurso cada vez mais frequente às promoções, refere Pedro Pimentel, diretor da Centromarca.

Os dados divulgados pela Nielsen evidenciam uma «retoma do consumo depois de um longo período de quebra de vendas, pelo que, percentualmente, os crescimentos surgem mais significativos», mas, em «relação ao aumento de preços, encaram este valor com alguma reserva, dada a preponderância do fenómeno promocional e a dificuldade que as empresas de estudos de mercado têm em realizar um acompanhamento adequado, em especial quando os descontos são dados em produto ou quando são descontos não diretos», alerta.

Então, o que terá acontecido é que o consumidor trocou mais frequentemente a marca da distribuição por uma marca de fabricante em promoção, podendo mesmo ter pago um pouco mais pelo produto, sem que isso signifique que tenha feito mais compras, dando a ideia de aumento dos preços.

«O fenómeno promocional tende a empurrar, pela maior diversidade, os consumidores para as lojas maiores», acrescenta Pedro Pimentel, justificando também um dos dados revelados pela Nielsen. No terceiro trimestre, os supermercados pequenos, de um a quatro caixas, lideraram em quota de mercado, com 34,8%, mas os supermercados grandes cresceram 3,6 p.p. para uma quota de 31,4 pontos, os hipers melhoraram ligeiramente para 26% de quota e o comércio tradicional caiu mais 4,2 pontos, com uma quota de apenas 7,8%.

«O crescimento mais significativo de supermercados grandes (e hipers) está, de alguma forma, em linha com o crescimento do consumo: maior disponibilidade económica motiva, normalmente, compras mais volumosas e, como tal, a deslocação a espaços comerciais de maior dimensão», explica o diretor da Centromarca, recordando que «o investimento que tem vindo a ser feito por várias marcas no sentido de melhorar a experiência de compra normalmente equivale a novas lojas de dimensão relevante».

O quarto trimestre será fundamental para a grande distribuição, dada a possibilidade de o consumidor «preterir os espaços da grande distribuição como local prioritário para a aquisição das suas prendas de Natal».

Pedro Pimentel espera «algum crescimento face ao período homólogo de 2015, mas com taxas de variação menos significativas» do que no verão, mantendo a expectativa de que «será o fenómeno promocional a condicionar algumas das opções de consumo».

Fonte: Diário de Notícias