Alimentos, bebidas e embalagens: setores serão líderes na economia circular

A melhoria na imagem do setor de produção de embalagens, o incremento na comunicação com o consumidor e o desenvolvimento tecnológico ao nível do tratamento de resíduos são algumas das oportunidades indicadas no estudo “Avaliação do Potencial da Economia Circular em Portugal”, apresentado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Sociedade Ponto Verde.

embalagens

O trabalho cujos resultados provisórios foram apresentados na conferência “O Ciclo das Embalagens - Uma Visão de Inovação Circular”, que decorreu no dia 19 de dezembro, em Lisboa, deu a conhecer o potencial da economia circular em Portugal nos setores das embalagens e dos alimentos e bebidas, desvendando algumas das principais oportunidades e desafios.

No setor da produção dos alimentos e bebidas, o desenvolvimento do mercado dos nutrientes é uma das principais oportunidades, apesar de se debater com alguns desafios, nomeadamente de dispersão demográfica.

No caso da produção de embalagens, a melhoria da imagem é um dos objetivos, sem comprometer a preservação da função primária das embalagens - acondicionar os alimentos – e de segurança alimentar.

Ao mesmo tempo, há trabalho a desenvolver ao nível do acondicionamento e do transporte. «A economia circular tem vindo a ganhar força enquanto paradigma agregador de conceitos e ferramentas promotoras da produção e consumo sustentáveis. O estudo desenvolvido tem um carácter prospetivo com o objetivo de contribuir para a identificação de estratégias, modelos de negócio, medidas e instrumentos de política conducentes a uma transição para um modelo económico assente na circularidade», salienta Luís Veiga Martins, diretor geral da Sociedade Ponto Verde.

De acordo com os dados para já obtidos no âmbito deste estudo, apesar de Portugal ter registado uma redução do consumo interno de materiais em 2015 (o qual se cifrou em 15,8 toneladas por habitante), relativamente ao registado em 2000 (19,5 toneladas por habitante), o que permitiu passar da oitava posição de entre os países europeus com maior índice de consumo para a 13.ª posição, o país apresenta, porém, desde 2010, um índice de ecoinovação abaixo da média europeia.

Em 2015, os dados apontam para uma ligeira tendência de crescimento, mas muito tímida relativamente ao potencial e quando comparado com a prestação de outros países.

O trabalho focou-se nos sectores das embalagens e dos alimentos e bebidas em Portugal.

Partindo do diagnóstico da situação atual, foram identificadas as oportunidades e desafios e construída uma visão de futuro para 2035, ano em que os sectores dos alimentos e bebidas e das embalagens serão líderes na adoção de estratégias e práticas de circularidade em Portugal.

Neste âmbito, foi estabelecido um quadro de referência para a implementação de um modelo circular com base no estudo de casos de referência internacionais e na realização de um conjunto de entrevistas com atores-chave.

Por último, identificou-se um conjunto de medidas e instrumentos de política para a prossecução da visão e de um “roadmap” para ações futuras, que permitirão fechar diferentes ciclos na cadeia de valor, passando pela produção (alimentos e bebidas e embalagens); distribuição, transporte e logística; consumidores e gestão de fluxos de materiais.

As ações identificadas nas áreas de investigação e inovação, conceção e ecodesign, novos modelos de negócio, comunicação e marketing e regulamentação e incentivos, em conjunto e envolvendo os diferentes atores sociais, contribuirão para atingir, em 2035, a visão de circularidade construída para os sectores das embalagens e dos alimentos e bebidas.

A conferência contou ainda com intervenções de oradores especialistas em temas relacionados com a economia circular. Simone Veldema abriu a conferência para abordar a forma como a economia circular e o design poderiam beneficiar de um trabalho em conjunto.

Membro do Design Thinkers Group, e a residir em Amesterdão, a oradora destacou a importância de revolucionar a forma como o design aplicado à economia circular é pensado, salientando que «tudo pode mudar para melhor, do linear para o circular».

A oradora reforçou ainda que o consumidor e a forma como o produto é utilizado devem ser os pontos de partida para transformar o trabalho dos designers para uma perspetiva mais sustentável.

Por seu turno, Rosa Trigo Fernández veio a Portugal apresentar o projeto The Circular Lab. A diretora técnica e de inovação da Ecoembes, organização sem fins lucrativos que promove a sustentabilidade e o cuidado do ambiente através da reciclagem em Espanha, apresentou o projeto enquanto «marca real de inovação».

Trata-se de uma região no norte de Espanha – Rioja – que, pelas suas características, foi escolhida para testar, numa cidade real todas as fases do ciclo de vida do processo de economia circular através de uma série de medidas. Assente em quatro pilares – smartwaste, ecodesign, ciência aplicada aos cidadãos e empreendedorismo – o projeto tem implementado uma série de medidas que vão permitir analisar, quantificar e monitorizar resultados, para que o caso sirva de amostra e ponto de partida para Espanha e a Europa.

Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, fechou a conferência dando conta que tem vindo a ser implementado em Portugal um conjunto de medidas para o incentivo à economia circular, como é o caso do Ponto Verde Open Innovation. «Estes 20 anos (de reciclagem em Portugal) são globalmente uma trajetória que considero muito positiva, que criou uma grande capacitação de competências que podem conduzir-nos ao sucesso para os desafios que o futuro nos remete», reforçou ainda.

Fonte: Grande Consumo