Estratégias de nutrição para compensar a perda dentária em idosos

FOTO MOHAMED_HASSAN/ PIXABAY
Especialistas recomendam opções que permitam manter o valor nutricional dos alimentos, alterando apenas as texturas
A perda de dentes é um problema frequente em pessoas idosas, estando longe de ser apenas uma questão estética. A ausência dos dentes dificulta a mastigação, limita a variedade de alimentos e pode reduzir a qualidade nutricional da dieta.
Em comunicado, a seguradora BUPA cita a perspetiva de Gabriela Aldana, da equipa de Qualidade e Inovação Clínica da sua clínica Sanitas Dental: “Os dentes não têm apenas uma função mecânica, mas também participam na fase inicial do processo digestivo. Uma mastigação insuficiente impede a boa trituração dos alimentos e reduz a ação da saliva, o que afeta tanto a absorção dos alimentos como o aproveitamento da dieta. Com o tempo, esta alteração pode ter um impacto direto no metabolismo e na saúde em geral.”
Além das implicações físicas, a perda dentária tem consequências sociais e emocionais. Muitos idosos reduzem as suas interações em refeições partilhadas ou evitam certos contextos por se sentirem desconfortáveis ao falar ou sorrir. Esta situação pode levar ao isolamento e afetar o bem-estar psicológico. “Cuidar da saúde oral nesta fase não só previne complicações médicas, mas também favorece a autoestima, a participação social e a qualidade de vida dos idosos.” adiciona Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.
Os especialistas da Sanitas Mayores sugerem, por isso, a adaptação da dieta sem perda de valor nutricional, apelando a que não se eliminem alimentos quando surge dificuldade em mastigar. Em alternativa, é possível modificar as texturas sem abdicar dos nutrientes, preparando cremes, purés, guisados macios ou peixes suaves que forneçam proteína, fibras, vitaminas e minerais essenciais. “Atualmente, os avanços na cozinha texturizada permitem oferecer pratos com a mesma aparência, aroma e sabor dos alimentos originais, o que ajuda a não só manter a saúde nutricional, mas também o prazer e a experiência gastronómica”, frisa o comunicado.
Aconselha-se também a que se dedique mais tempo à refeição para facilitar a digestão, melhorar a absorção de nutrientes e reduzir o risco de engasgos. Dividir os alimentos em pedaços pequenos e mastigar calmamente permite que a saliva atue corretamente na fase inicial do sistema digestivo.
Por outro lado, a perda de dentes e certas próteses podem alterar a produção de saliva, originando secura bucal. Beber água suficiente ao longo do dia facilita a deglutição, protege as gengivas e contribui para prevenir problemas como infeções ou dificuldade para engolir.
Por último, a seguradora aconselha a que se consulte um especialista em caso de perda de peso ou apatia alimentar. Se o idoso reduzir a quantidade de comida, mostrar menos interesse pela alimentação ou apresentar quedas de energia, é aconselhável procurar apoio profissional.
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