Criar valor na sustentabilidade: um novo caminho para a aquacultura

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Integrar sustentabilidade na aquacultura não deve limitar-se a uma resposta regulatória ou a uma preocupação reputacional. A transição sustentável do setor deve ser encarada, cada vez mais, como uma estratégia de criação de valor económico, ambiental e social. Para as empresas aquícolas, para os territórios costeiros e para os consumidores. É neste enquadramento que a sustentabilidade deixa de ser apenas um custo e passa a ser um fator de eficiência, resiliência e competitividade.

A aquacultura enfrenta desafios estruturais relevantes: pressão sobre os ecossistemas aquáticos, escassez de água e energia, dependência de inputs externos, exigências crescentes em bem-estar animal e uma forte exposição a riscos climáticos e de mercado. No entanto, estes desafios podem transformar-se em oportunidades se forem integrados numa visão estratégica de gestão sustentável. Exemplos de referência, como a dourada da Madeira e a produção aquícola do Algarve, já consolidados em termos de mercado e tecnologia, demonstram como é possível combinar sustentabilidade, escala, qualidade e diferenciação territorial, podendo ser replicados e amplificados noutras regiões.

Uma abordagem eficaz à sustentabilidade na aquacultura exige modelos colaborativos, assentes na partilha de conhecimento e na articulação entre produtores, empresas da cadeia de valor, centros de conhecimento e entidades financiadoras. A demonstração prática de soluções no terreno, a capacitação técnica adaptada às diferentes tipologias de produção e a comunicação transparente de resultados são elementos-chave para acelerar a adoção de boas práticas e reduzir a incerteza associada à transição.

Colocar a sustentabilidade no centro da estratégia das empresas aquícolas significa integrá-la na tomada de decisão, medir resultados e transformar indicadores ambientais em vantagens competitivas. Significa também preparar o setor para responder a exigências crescentes de mercado, acesso a financiamento sustentável e expectativas dos consumidores.

Neste contexto, e deixando aqui um desafio, faria todo o sentido desenvolver um programa estruturado de transição sustentável para o setor da aquacultura, orientado para apoiar as empresas na adoção de práticas mais eficientes, resilientes e alinhadas com os desafios ambientais e económicos do futuro.

Luís Mira da Silva
Partner e Diretor da Área de Sustentabilidade da CONSULAI
Engenheiro Agrónomo, Doutorado em Sistemas Agrícolas, Master in Business and Administration
 

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