Projeto evidencia qualidade de alimentos ibéricos com base em compostos fenólicos

O projeto Iberphenol, com fim previsto para dezembro de 2019, dispôs de 2,2 milhões de euros para o desenvolvimento de uma rede de investigação ibérica que está a criar uma base de dados com a composição fenólica de produtos, como o vinho, azeite ou frutas.

iberphenol

Texto: Ana Catarina Monteiro

«O principal objetivo do projeto é evidenciar a qualidade dos produtos portugueses e espanhóis com base na constituição dos produtos fenólicos», explicou, em declarações à agência Lusa Eduardo Rosa, investigador do Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. A UTAD é uma das universidades portuguesas que participam no projeto juntamente com organizações do país vizinho.

O Iberphenol é, segundo o responsável, “um projeto pioneiro e inovador” porque é uma rede de investigação ibérica em compostos fenólicos que “se está a constituir pela primeira vez” e se “foca num grupo de compostos extremamente importante” devido ao seu efeito na saúde.

Os compostos fenólicos, constituintes naturais das plantas, são particularmente importantes em frutas, hortícolas ou plantas aromáticas e a sua identificação e quantificação revelam informações importantes a respeito da qualidade dos alimentos e dos potenciais benefícios que os mesmos podem exercer na saúde.

Eduardo Rosa explicou que na base de dados que está a ser criada já foram inseridas “à volta de 5000 entradas (dados) de quase uma centena de produtos".

Entre os produtos, o investigador destacou a uva e os seus derivados como o vinho ou o bagaço, a azeitona e o azeite, a castanha e produtos derivados do castanheiro, como por exemplo a flor, os frutos vermelhos, os citrinos, cerejas, a baga de sabugueiro, plantas aromáticas e medicinais.

Eduardo Rosa elencou o vinho como sendo um dos produtos mais emblemáticos, até pela importância económica que tem para Portugal e Espanha. «Estes compostos imprimem determinadas características de sabor, de cor e de aroma aos produtos, acentuando a sua qualidade», frisou.

O investigador considerou ainda que as “condições climáticas” verificadas nos dois países ibéricos, nomeadamente o clima mais quente e seco, “claramente acentuam a síntese destes compostos e permitem que os produtos tenham essa diferenciação”.

Assim, ao se destacar a “qualidade dos produtos”, estão a fornecer-se “argumentos científicos” para ajudar a potenciar as exportações dos produtos ibéricos, sublinhou o responsável.

«É evidente que a qualidade dos produtos não reside só na composição fenólica, reside também em muitos outros constituintes como os açúcares, proteínas, aminoácidos e ácidos orgânicos, mas começamos por aí porque é um grupo muito importante de compostos», explicou o investigador.

Eduardo Rosa destacou as características benéficas para a saúde que são atribuídas aos compostos fenólicos, como o efeito antioxidante, anticancerígeno, cardioprotetor, anti-inflamatório, antienvelhecimento e antimicrobiana.

O projeto arrancou em 2017 e vai estender-se até dezembro de 2019 e contou com um investimento que ronda os 2,2 milhões de euros, financiados pelo programa INTERREG - POCTEP (Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal).

Eduardo Rosa disse haver a intenção de prolongar o projeto, de forma a que a “base de dados possa ser constantemente atualizada com mais informações e produtos, enriquecendo assim a informação disponibilizada às empresas”.

Até ao final do ano realizar-se-ão dois congressos, um em Ourense e outro em Coimbra, para apresentação de conclusões do projeto e para abrir portas a novos parceiros.

O projeto Iberphenol é liderado pela Universidade de Salamanca e conta com várias instituições de ensino portuguesas, entre elas a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), o Instituto Politécnico de Bragança, a Universidade de Coimbra e a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), além da UTAD. De Espanha conta com a participação da Universidade de Valladolid, Universidade de Vigo e a empresa de vinhos Bodega Matarromera, além da instituição que comanda o projeto.