Parlamento pede ao Governo medidas para valorizar e dinamizar setor agroalimentar

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O parlamento aprovou a dia 22 de fevereiro diplomas do CDS-PP, PSD e PCP que recomendam ao Governo a criação de uma plataforma de valorização do setor agroalimentar, a promoção de um comité científico e o reforço da investigação nesta área.

Estes projetos de resolução foram aprovados por maioria na sessão plenária de quinta-feira, em que os deputados também apreciaram uma recomendação do PAN ao executivo para a criação de um comité científico eco e agroalimentar, constituído pela Ordem dos Médicos e dos Médicos Veterinários e por organizações não-governamentais e especialistas em matérias como ambiente, proteção e bem-estar animal, mas que foi rejeitado com os votos contra do PSD, PS, PCP e PEV.

O primeiro a apresentar um documento, na sessão, foi o PSD, com o deputado António Ventura a vincar que «é útil e desejável que se crie um comité científico sobre a alimentação humana, que valide informação» numa altura de «muita difamação publicitária sobre determinados alimentos, entre os quais, o leite».

Este comité científico no âmbito agroalimentar proposto pelo PSD, constituído por entidades como as ordens dos Nutricionistas e dos Médicos, academias científicas e institutos vocacionados para a investigação, deverá «estabelecer um consenso a nível académico» de forma a «recuperar a confiança dos consumidores» e a «desfazer mitos e mentiras», afirmou.

Já a deputada do CDS-PP Patrícia Fonseca realçou que «existe muita informação, mas está dispersa» e explicou que a plataforma de valorização do agroalimentar português, proposta pelo seu partido, visa «casar a oferta e a procura, quer seja da parte da indústria, da restauração ou do consumidor privado».

O objetivo, acrescentou, é apoiar os agricultores e os produtores a desenvolver produtos endógenos com procura no mercado e potenciar, assim, a sua atividade agrícola.

Por seu lado, João Ramos, do PCP, indicou que o projeto de resolução dos comunistas, que prevê o reforço da investigação, experimentação, apoio, acompanhamento e aconselhamento agrícola, serve para «melhorar instrumentos», criando «condições para os agricultores mais pequenos acederem à inovação».

André Silva, deputado do PAN, disse que «não pode haver “marketing” do Estado a beneficiar a indústria alimentar» e que «deve informar-se as pessoas da desumanidade deste setor, que separa as vacas leiteiras dos seus filhos nos primeiros meses de vida».

Falando em defesa do Governo, o socialista Pedro do Carmo lembrou que este é um setor importante para o país, composto por mais de 10 mil empresas que criam mais de 100 mil postos de trabalho, e que «deve ser acompanhado de perto» pelo executivo. Ainda assim, criticou «a demagogia» destas propostas, que falam em «fazer o que está a ser feito».

«À falta de ideias, podem sempre fazer-se projetos de resolução sobre temas que caem bem, e o agroalimentar cai bem» questionando se ser disto que o setor precisa e ressalvando o «papel ativo» do executivo em áreas como a investigação.

Fonte: Lusa