Paisagem Agroalimentar em Portugal

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Por Teresa de Noronha

A indústria agroalimentar em Portugal dá hoje mostras de um potencial relevante desde que os consumidores estejam abertos para produtos inovadores e aceitem ser conscientes dos seus consumos.

No entanto, a pequena dimensão do nosso mercado facilita a entrada de produção estrangeira, tendo os empresários portugueses de fornecer sempre a melhor qualidade, lutando por vantagens de proximidade ou, corajosamente, buscando oportunidades no mercado de exportação.

Tal exige competências nem sempre disponíveis para as pequenas empresas portuguesas, cabendo sem dúvida ao Estado um papel fundamental no apoio à divulgação dos produtos portugueses. Nos anos mais recentes, este papel tem sido bem desempenhado pelo ICEP a nível internacional, mas dentro do país o esforço tem sido quase irrelevante.

A agricultura, as pescas e o setor dos alimentos processados tornaram-se fracos pilares da diversidade de atividades económica do nosso país, a sua sobrevivência dependendo de forma irregular da vontade e da capacidade política.

É muito discutível se as reformas da PAC foram benéficas para o mundo rural. Contudo, as reformas recentes levadas a cabo na Europa para o setor agrícola terão por certo impactos positivos ao nível da sustentabilidade dos ecossistemas. O setor agrícola português e apenas uma peça reduzida de um mecanismo que é o mercado europeu, este por sua vez inserido no contexto global e nas dinâmicas de longo prazo.

Nesse sentido, precisamos de uma certa tolerância e visão holística para perspetivarmos o desenvolvimento recente do setor de, pelo menos, dois ângulos: i) o do enquadramento internacional, para o qual visivelmente nos temos vindo a preparar nos últimos cinco anos e ii) o do enquadramento de proximidade que, parecendo ser o que nos está mais próximo pelas características do nosso país (pequena dimensão e propensão para a dieta mediterrânica), nos tem escapado dada a propensão dos nossos consumidores à busca de produtos oferecidos a preços mais baixos pela grande distribuição.

Os consumidores portugueses passaram por alterações importantes nos seus comportamentos. Acréscimos de rendimento médio das populações e uma maior exposição aos produtos do mercado europeu geraram um aumento das elasticidades rendimento da procura, às quais os comportamentos rígidos da oferta, particularmente da dos produtos frescos, estimularam novas atitudes comerciais dos distribuidores de produtos alimentares. O gap existente entre a estrutura comercial e a estrutura produtiva é o justificativo para os acentuados e crescentes desequilíbrios na balança comercial alimentar portuguesa.

Uma outra observação importante que nos cabe fazer é a de que aumentou a concentração das atividades do setor, podendo ser identificados no território do continente apenas dois a três clusters agroalimentares. Tal poderá beneficiar de estratégias de política ao nível da melhor gestão dos recursos e da promoção da inovação.

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Em todo mundo, e em particular na Europa, a agricultura é hoje em dia uma atividade multifuncional que tem associado, antes de mais, um processo de industrialização.

O argumento principal centra-se sobre a questão alimentar da produção em escala e a forma como o modelo produtivo que lhe é subjacente salvaguarda a sobrevivência da riqueza humana perante custos de distribuição crescentes.

Os decisores políticos e produtores independentes procuram novos modelos produtivos baseados na proximidade e apostam em funções complementares para o espaço rural e por isso a agricultura deve também apostar num processo de adaptação aos mercados segmentados.

O histórico do setor no nosso país mostrou-nos, em alguns casos, mudanças na estrutura de propriedade resultantes de escassas mas novas práticas associativas que ajudaram a resolver algumas das tensões naturais dos relacionamentos verticais a montante da indústria. E, mais tarde, circuitos comerciais de proximidade reformularam as produções locais, dando um novo fôlego aos padrões de consumo.

Para as empresas agroalimentares, em geral, o poder de mercado tem consequências para a sua organização industrial, mesmo ao nível do setor primário.

A concentração é uma das determinantes mais importantes da rentabilidade deste setor. Portanto, não é surpreendente que, para um limitado período de tempo, muita da eficiência da cadeia de fornecimento de alimentos tenha sido impulsionada pela coordenação vertical na produção e distribuição, principalmente caracterizada por uma tendência para a diminuição dos preços a nível dos produtores e aumento das pressões de longa prazo. Condições estas muito mais favoráveis aos distribuidores centralmente localizados do que para os restantes.

(Continua).

Nota: Artigo publicado na edição da TecnoAlimentar n.º11.

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