Cascais recebe Cimeira Mundial dos Serviços de Gestão de Pragas para a Saúde Pública e Segurança Alimentar

Mais de 200 especialistas no controlo de pragas que ameaçam a saúde pública e a segurança alimentar, provenientes da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos, reúnem-se em Cimeira Mundial em Cascais, entre 4 e 6 de junho, para consensualizar estratégias e boas práticas na contenção e prevenção de espécies invasores que ameaçam as grandes cidades.

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Vista da capital portuguesa 

As alterações climáticas, os novos hábitos alimentares e o desenvolvimento urbano têm aumentado a prevalência de pragas perigosas para a saúde e o bem-estar das populações, sublinhando a urgência de se prepararem estratégias de gestão destes fenómenos naturais, com vista a erradicar ou conter a ameaça que representam para a vida humana, ambiente, património urbanístico e histórico.

Em Lisboa, por exemplo, estima-se que existam tantos ratos como habitantes (500 mil) mas, se considerarmos toda a área metropolitana da capital, o número de ratos pode ser duas a três vezes superior, o que aponta para mais de 6 milhões de ratos.

Estes números são avançados por uma investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Maria da Luz Mathias, em entrevista à revista Sábado.

«Se considerarmos cerca de 500 mil habitantes, então o número de ratos pode variar entre 150 mil e 1 milhão. Mas se considerarmos os quase 3 milhões de habitantes da área metropolitana, pode ir até aos 6 milhões», afirma a cientista.

O departamento de Marca e Comunicação da Câmara de Lisboa confirmou que o município intensificou o número de ações de controlo e tem planeado investir, nos próximos três anos, 550 mil euros em ações preventivas, depois de, no início do ano, duas escolas da capital terem fechado portas devido a uma infestação de ratazanas.

Há cerca de uma semana, foi a Assembleia da República que se viu impedida de realizar uma sessão da sua Comissão Parlamentar de Trabalho por causa de uma infestação de baratas, como dá conta o Diário de Notícias.

Em janeiro, a Direção-Geral de Saúde tornou pública a informação oficial provisória sobre os 233casos de Legionella notificados em 2017, tendo sido registados incidentes particularmente perigosos em instalações hospitalares localizadas em Lisboa.

A decisão de organizar em Cascais a Cimeira Global dos Serviços de Controlo de Pragas para Saúde Pública e Segurança Alimentar para discutir as questões técnicas e estratégicas relacionadas com as pragas a nível mundial foi da Associação Norte-americana de Gestão de Pragas (NPMA) e da Confederação de Associações Europeias de Gestão de Pragas (CEPA), com o apoio da Associação de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos (GROQUIFAR), que agrega as empresas portuguesas responsáveis pela gestão de pragas urbanas.

A Cimeira Mundial vai decorrer entre os dias 4 e 6 de junho no Hotel Miragem, em Cascais, e trata-se do maior evento internacional do setor, com participantes altamente qualificados da indústria e dos serviços implicados em controlo de pragas.

O programa prevê a partilha de novidades em matérias de substâncias ativas e boas práticas técnicas, devendo servir igualmente para elevar a consciência pública e política relativamente aos perigos que representam várias espécies invasoras, responsáveis pela propagação de doenças de elevada gravidade e com consequência direta no orçamento da saúde pública.

DGS presente na Cimeira Mundial

Em Portugal, a atividade de controlo de pragas ainda carece de regulamentação. E as entidades governamentais não elaboram estudos que possam identificar a evolução e o impacto das pragas no ambiente urbano e as respetivas consequências para a saúde pública.

Haverá, no entanto, novidades a esse nível nesta cimeira. A Direção-Geral da Saúde vai participar neste evento e prepara-se para anunciar os avanços para a regulamentação no domínio da contenção de pragas que afetam a segurança alimentar e a saúde pública.

O programa desta Cimeira Mundial de Gestão de Pragas inclui sessões de debate sobre, por exemplo, os “Impactes da Mudança Climática nas Pragas e Gestão de Pragas Estrutural”, a “Importância para a saúde pública do serviço de gestão de pragas urbanas” e a “Necessidade de uma abordagem global harmonizada na gestão de pragas”.